Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, James Canon é um escritor que nasceu e cresceu na Colômbia. Depois de se formar em publicidade em seu país, viajou para Nova York para estudar inglês, alcançando o mestrado em Escrita Criativa pela Universidade Columbia. Estreou na literatura com o romance “Tales from the Town of Widows & Chronicles from the Land of Men”, publicado em mais de 20 países. O romance foi originalmente publicado em inglês, segunda língua de Cañón. Em 2009, a editora La Otra Orilla lançou o romance em espanhol na Espanha com o título ” La aldea de las viudas” (A Vila das Viúvas ), traduzido por Juan F. Merino.
“Tales from the Town of Widows & Chronicles from the Land of Men”(Contos da Cidade das Viúvas), publicado em 2007, narra uma história que se passa em novembro de 1992, na remota vila montanhosa de Mariquita, na Colômbia. Numa manhã de domingo, um grupo de guerrilheiros comunistas invade o vilarejo e recruta à força (ou mata) todos os homens jovens e adultos, deixando para trás apenas três exceções: um padre de ética questionável, um garoto vestido de menina e outro morador (ou travesti/homem gay retraído, dependendo da tradução/leitura). Abandonadas e de luto, as mulheres enfrentam o colapso da vila: escassez de alimentos, ruas sujas, falta de infraestrutura e a paralisia do dia a dia sem a mão de obra masculina. A Reviravolta e a Utopia Feminina ocorrem do seguinte modo: Rosalba viúva de Patiño, esposa do ex-sargento da polícia, decide assumir o comando como “magistrada”. Ela mobiliza as outras mulheres para reerguer a economia e a ordem da cidade. Com o tempo, as “viúvas virtuais” superam seus papéis tradicionais de subordinação e constroem uma sociedade autossuficiente e igualitária — uma verdadeira utopia exclusivamente feminina.
Intercalando a narrativa principal da vila, a obra apresenta pequenos trechos e vinhetas que acompanham o destino dos homens e meninos levados pela guerra (guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita, soldados do exército e civis apanhados no conflito), entendidas como crônicas paralelas ao enredo principal. O livro usa o pano de fundo da prolongada guerra civil colombiana para fazer uma exploração ácida, bem-humorada e lírica sobre gênero, poder, sobrevivência e o absurdo dos conflitos armados.
Indagado pela imprensa “Por que e com que propósito James Cañón escreve?”, assim responde o autor: “É uma pergunta que me faço periodicamente, e a resposta mudou ao longo dos anos. Antes, eu escrevia puramente por prazer; depois, tornou-se uma necessidade, um componente básico para viver ou simplesmente para me sentir melhor. Atualmente, estou tentando recapturar aquela alegria original que sentia ao escrever. Quero escrever novamente não porque preenche um vazio, mas porque satisfaz meus sentidos. Algo que nunca mudou é para quem eu escrevo: escrevo para mim mesmo e sou muito exigente comigo. Se gosto do que escrevo, considero bom, independentemente do que os críticos digam ou do que o leitor pense. Naturalmente, espero que algum leitor se identifique com minha escrita e minhas ideias, que as aprecie ou se beneficie delas de alguma forma. Mas, se isso não acontecer, fico igualmente satisfeito.”. Para ele, “A paixão é inerente à personalidade de todo bom artista”.
Professora Universitária*




