O futebol mundial vive um fim de ano de despedidas. Alguns dos maiores craques da atualidade vêm anunciando suas despedidas dos gramados com as camisas de suas seleções. Primeiro foi Messi e, agora, é a vez do atacante Cristiano Ronaldo, de 41 anos. Ele anunciou, na última quinta-feira, o fim de seu ciclo com a camisa da seleção de Portugal.
O astro divulgou a despedida em suas redes sociais. Disse sentir orgulho por ter sido capitão da equipe nacional e afirmou que estará sempre na torcida por seu país.
A saída acontece meses depois de um desgaste do atleta com o treinador Jorge Jesus. Ele se sentiu desvalorizado no episódio em que ficou aquecendo à beira do campo na partida contra a Noruega e acabou não sendo utilizado. O episódio aconteceu no fim de setembro.
“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje, chegou o momento de entregá-la ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque decisões assim não se tomam apenas com a cabeça, mas também com o coração”, diz parte do depoimento.
O atrito entre técnico e jogador ainda tentou ser solucionado nos bastidores, mas o desfecho acabou sendo desfavorável, com o camisa 7 abandonando a concentração da seleção portuguesa. Maior jogador da história do país, o atleta afirmou, dias depois, que sua saída ocorreu porque Jorge Jesus não cumpriu acordos sobre sua participação nos jogos.

O jogador foi suspenso por 30 dias e multado em 255 euros (R$ 1,5 mil) pela Federação Portuguesa de Futebol por ter abandonado a concentração.
Em meio à saída turbulenta, Cristiano Ronaldo destacou, em seu anúncio, a forte identificação que sempre teve com a camisa lusitana e com o povo de seu país.
“Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo o que sou hoje. Vejo imigrantes que, durante noventa minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. No fim de tudo, futebol é muito mais que um jogo. O futebol são as pessoas.”
Por fim, o atacante afirmou que valeu a pena cumprir toda a sua trajetória a serviço de Portugal. Fez um retrospecto sobre gols, conquistas e recordes e reforçou a sensação de missão cumprida nos campos.
“Acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos, mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas.”
“Se alguma vez fiz vocês felizes, se alguma vez um gol meu fez vocês abraçarem alguém, fez alguma pessoa sentir orgulho do próprio país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso”, completou Cristiano Ronaldo.
CR7 x Messi: despedida dos craques das seleções vai da idolatria à melancolia
A eterna disputa entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo ganhou mais um capítulo na manhã em que o português anunciou a aposentadoria da seleção por meio de um vídeo nas redes sociais, em um cenário frio quando comparado à forma como o argentino se despediu da Argentina.
Cristiano Ronaldo leu um discurso de cinco minutos. O camisa 7 estava sozinho em uma sala e agradeceu pelo período, enquanto imagens de sua trajetória se sobrepunham ao astro na publicação feita nas redes sociais.
Em contrapartida, Messi se despediu diante de 80 mil pessoas no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e ao lado de companheiros emocionados. O capítulo final foi coroado com um gol de pênalti no amistoso contra Benin, que terminou com vitória argentina por 3 a 0.

Segundo a imprensa portuguesa, o adeus foi antecipado a fim de evitar a convocação para os jogos da Liga das Nações deste mês de novembro. O clima nos bastidores para Cristiano Ronaldo na reta final contrastou com a despedida marcada pela idolatria a Lionel Messi.
O português envolveu-se em um atrito com o técnico Jorge Jesus e chegou a abandonar a concentração da seleção após considerar que o treinador havia descumprido um acordo prévio sobre sua gestão física.
Cristiano Ronaldo aqueceu durante 30 minutos para entrar no segundo tempo da partida contra a Noruega, mas não foi utilizado por Jesus.
Como consequência da decisão e das declarações posteriores do treinador, o camisa 7 português abandonou a concentração durante a janela de jogos da Liga das Nações. O caso levou a Federação Portuguesa a multar o craque, além de suspendê-lo até o fim de outubro.
Duas semanas depois, veio o anúncio do adeus pelas redes sociais e a despedida após 146 gols e três títulos: a Eurocopa de 2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.
Messi, por outro lado, contou com apoio coletivo até o último minuto. Reverenciado pelo técnico Lionel Scaloni, com quem conquistou a Copa do Mundo de 2022 e duas edições da Copa América, em 2021 e 2024, o camisa 10 argentino se emocionou diante de torcedores e companheiros.
O choro na despedida contra Benin, ocorrida em 6 de outubro, começou ainda na chegada ao estádio do River Plate, repetiu-se durante o hino e terminou com lágrimas na homenagem final, que teve direito a um show de drones.
Não foi apenas Messi que se emocionou. Enzo Fernández foi um dos companheiros que mais choraram e demonstraram idolatria pelo craque, que, como último ato, converteu um pênalti e encerrou sua história na seleção com 126 gols.
Federação Portuguesa promete homenagem a Cristiano Ronaldo
“Líder inspirador, exemplo de dedicação e símbolo máximo da alma da nossa seleção.” Foi dessa forma que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) destacou a passagem de Cristiano Ronaldo pela equipe nacional, após o astro de 41 anos anunciar sua despedida da camisa lusitana.
A entidade manifestou a intenção de organizar uma homenagem à carreira do capitão. Até o fechamento desta edição, porém, não havia data ou formato oficialmente definidos. Também não estava confirmada a realização de uma partida de despedida.
A FPF expressou seu agradecimento ao jogador e exaltou a importância de sua figura para o futebol português.
“É com um sentimento de profunda gratidão e imensa admiração que a Federação Portuguesa de Futebol vem, publicamente, enaltecer e agradecer o percurso absolutamente extraordinário de Cristiano Ronaldo a serviço do nosso país.”
No comunicado, a entidade recordou os números alcançados pelo atacante e os títulos conquistados pela seleção.
“Ao longo de uma carreira internacional lendária, pautada por 234 jogos e 146 gols marcados, o capitão carregou o país nos ombros, quebrou recordes e liderou a equipe na conquista de momentos que ficarão para sempre gravados na história do futebol nacional.”

A homenagem lembra ainda que Portugal mudou de patamar no cenário internacional desde que o jogador revelado pelo Sporting passou a representar o país na equipe principal.
“Cada gota de suor, cada gol decisivo e cada braçadeira honrada em campo foram o reflexo de seu amor incondicional pela nossa camisa. Sua entrega e seu legado transcendem as quatro linhas. Cristiano Ronaldo elevou o nome de Portugal e inspirou gerações de jovens que sonham seguir seus passos, sendo, para muitos de nós, o melhor jogador de todos os tempos!”
A Federação Portuguesa também afirmou que pretende promover um tributo à carreira do jogador.
“É nossa firme e enorme vontade organizar, planejar, participar e colaborar ativamente naquela que será sempre uma homenagem à altura da imensa carreira de Cristiano Ronaldo, na qual os torcedores e o país possam aplaudir e celebrar, mais uma vez, o jogador que tanto nos deu. Obrigado por tudo, CAPITÃO! Esta será sempre a sua casa. Vamos ao gol 1.000.”
Os números do “Robozão”
Cristiano Ronaldo foi, por muito tempo, comparado a Eusébio, mito do futebol português. Mas seus números falam por si.
CR7 marcou 146 gols em 234 partidas pela seleção.
Cristiano Ronaldo segue em busca do milésimo gol. Até aqui, CR7 soma 985 gols na carreira. Ou seja, faltam 15 gols para o astro português alcançar a marca histórica.
Profissional desde 2002, CR7 soma, no momento, 985 bolas nas redes dos adversários. Faltam, portanto, 15 gols para chegar a uma marca que poucos na história do futebol alcançaram. Pelé, com seus 1.283, é o recordista máximo, embora a Fifa reconheça apenas 767 como oficiais.
Pela seleção nacional, Ronaldo soma 146 gols pela equipe principal, sem contar as categorias de base, quase o mesmo número registrado pelo Manchester United, pelo qual marcou 145. Ele só balançou mais vezes as redes com uma camisa: a do Real Madrid, com 450 gols.
As demais marcas estão abaixo na lista: Al-Nassr, com 138 gols; Juventus, com 101; e Sporting, com cinco.

