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Imóveis de uso ocasional dobram em Rifaina em 12 anos

Condomínios planejados passaram a dividir espaço com os ranchos tradicionais no entorno do Lago de Jaguara | Crédito: Divulgação/Focco

O número de domicílios de uso ocasional em Rifaina dobrou entre os dois últimos censos demográficos. A quantidade passou de 503, em 2010, para 1.009, em 2022, crescimento de 100,6% em 12 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A categoria reúne imóveis que não são a residência principal de seus ocupantes e são utilizados em fins de semana, férias ou outras ocasiões. Também pode incluir propriedades destinadas à locação por curtos períodos. O dado, portanto, não permite concluir que todos sejam casas de veraneio, investimentos imobiliários ou imóveis localizados em condomínios.

Em 2022, Rifaina tinha 2.778 domicílios particulares permanentes. Desse total, 1.455 estavam ocupados, 1.009 eram de uso ocasional e 314 estavam vagos. Assim, os imóveis de uso ocasional representavam 36,3% das moradias permanentes recenseadas no município. Os números foram consultados pelo Tribuna na tabela 4711 do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

O aumento desse tipo de imóvel foi mais acelerado que o crescimento da população. Rifaina passou de 3.436 habitantes, em 2010, para 4.049 em 2022, alta de 17,8%. No mesmo intervalo, a quantidade de domicílios ocupados subiu de 1.161 para 1.455, avanço de 25,3%.

Ranchos dividem espaço com condomínios

Conhecida pelos ranchos construídos às margens do Rio Grande e pelas atividades náuticas no reservatório da Usina Hidrelétrica de Jaguara, Rifaina passou a receber outros formatos de empreendimento residencial. Loteamentos fechados, edifícios e condomínios com áreas coletivas dividem espaço com as propriedades tradicionalmente utilizadas para pescarias, encontros familiares e temporadas de descanso.

O Plano Municipal de Saneamento de 2018 já relacionava a presença dos imóveis de uso ocasional aos condomínios e às chácaras de recreio instalados ao longo do Lago de Jaguara. O documento também mostrava que esse perfil imobiliário tinha peso significativo no município antes da divulgação dos resultados do Censo de 2022.

A estatística do IBGE comprova o crescimento das propriedades utilizadas ocasionalmente, mas não identifica o padrão construtivo, a finalidade econômica nem o perfil dos proprietários. Por isso, os dados não permitem atribuir o aumento exclusivamente à implantação de condomínios.

Emerson Cosmo, diretor comercial do Condomínio Rio Sol, empresa que comercializa empreendimentos de lazer na região do Lago de Jaguara, inclusive no lado mineiro, em Sacramento, afirma que parte dos clientes atendidos procura estruturas compartilhadas.

“O rancho tradicional sempre fez parte da história da região, mas hoje percebemos compradores que querem ir além de ter uma casa para passar o fim de semana”, diz.

Turismo amplia demanda por serviços

O Lago de Jaguara é o principal atrativo turístico local. Segundo a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), o reservatório formado pelas águas do Rio Grande possui aproximadamente 33 quilômetros quadrados de espelho d’água. O órgão estadual informa que mais de 400 ranchos ribeirinhos foram construídos no entorno do lago nos dez anos anteriores ao levantamento divulgado em 2025. A região também reuniria mais de 1.200 embarcações ligadas às atividades náuticas.

Rifaina é classificada como Município de Interesse Turístico desde 2017, condição que permite o recebimento de recursos estaduais para obras e ações relacionadas ao setor.

O aumento temporário da população em feriados e períodos de férias também amplia a demanda por limpeza urbana, segurança, trânsito, abastecimento e outros serviços. No Carnaval de 2025, a prefeitura estimou que mais de 20 mil pessoas passaram pela cidade, número quase cinco vezes maior que a população residente registrada pelo Censo.

A administração municipal calculou movimentação econômica superior a R$ 13 milhões durante aquele feriado. A estimativa considerou hospedagens, alimentação, comércio, passeios e prestação de serviços, mas a nota divulgada pela prefeitura não detalhou a metodologia utilizada no cálculo.

Em junho deste ano, a prefeitura anunciou a aprovação de um convênio de R$ 600 mil com o Governo do Estado, por meio do Programa de Municípios Turísticos. A divulgação informou que o dinheiro seria aplicado em projetos de infraestrutura turística, mas não especificou qual obra receberá o recurso nem apresentou prazo de execução.

Os dados mostram que as propriedades usadas em férias e fins de semana ocupam uma parcela relevante do conjunto de imóveis de Rifaina. Ao mesmo tempo que movimentam atividades ligadas ao turismo e aos serviços, elas aumentam a necessidade de planejamento urbano para atender uma população que varia de forma significativa ao longo do ano.

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