Juliano Galisi (AE)
O sargento Estácio Leite da Silva Filho foi parado em uma blitz em Brasília (DF) na segunda-feira, 15 de junho, com uma arma de fogo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. Ao ser abordado, alegou que estava levando o equipamento para “reparos”.
A ocorrência foi comunicada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu esclarecimentos à defesa do ex-presidente e à equipe responsável pelas revistas de acesso à residência de Bolsonaro no prazo de 24 horas. O militar faz parte da equipe de segurança que acompanha o ex-presidente após o mandato presidencial.
Todos os ex-ocupantes do cargo têm direito a esse assessoramento. Estácio é natural de Paranaguá, no interior do Paraná. Durante a adolescência, trabalhou como entregador de jornais e office boy. Iniciou a carreira militar em 1992. Durante os anos que serviu no Exército, participou de missões de paz no Timor-Leste, em 1999, e no Haiti, em 2014.
Em 2022, trabalhou na segurança de Jair Bolsonaro. Em dezembro daquele ano, foi nomeado assistente técnico da equipe que acompanharia o ex-presidente após o fim do mandato. Estácio acompanhou o ex-presidente nas viagens aos Estados Unidos em janeiro e março de 2023.
Em março deste ano, quando Bolsonaro estava preso na “Papudinha”, Moraes autorizou a entrada de Estácio e mais dois três assessores no local. Segundo o pedido formulado ao relator, eles seriam responsáveis pela entrega de “alimentação especial” a Bolsonaro.
No mês seguinte, quando Bolsonaro já estava em prisão domiciliar, Moraes autorizou a entrada de Estácio na residência do ex-presidente. O sargento dirigia um veículo oficial da Presidência da República quando foi parado pela blitz. Durante a abordagem, o sargento alegou ser membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O órgão, por outro lado, desmente a informação.
O ex-presidente está em prisão domiciliar desde o dia 24 de março, quando deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após ser internado para tratar um quadro de pneumonia bacteriana. De acordo com a decisão de Moraes, a arma foi apreendida às 23h30 da última segunda-feira, quando um Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Taguatinga.
Moraes pede que a defesa de Bolsonaro esclareça a razão pela qual o ex-presidente mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e porque, às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedido à título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento.
O ministro pede ainda que o tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da PMDF e responsável pelas medidas de segurança do regime domiciliar humanitário, esclareça se a ordem judicial de revista nos carros que saem da residência de Bolsonaro – inclusive em veículos oficiais que fazem a segurança do ex-presidente – está sendo cumprida integralmente.
Antes da decisão que autorizou a prisão domiciliar, Bolsonaro cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local é conhecido como Papudinha.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

