Tribuna Ribeirão
Artigos

Cônego Antônio Garcia Félix: Um sacerdote, um líder, um amigo

Foto: Arquivo

André Luiz da Silva *
[email protected]

As despedidas físicas são quase sempre marcadas pela dor e pelas lágrimas. É humanamente compreensível. Mas, para nós, cristãos, a dor da separação não pode apagar a esperança: cremos em Cristo, que venceu a morte e nos abriu o caminho para a vida eterna.

Nesta semana, nos despedimos do Cônego Antônio Garcia Félix. Cônego Garcia para alguns; padre Antônio para muitos. Durante mais de 40 anos de ministério sacerdotal na Arquidiocese de Ribeirão Preto, serviu nas paróquias Santa Maria Goretti, Nossa Senhora da Penha e Santa Luzia, em Ribeirão Preto; Divino Espírito Santo, em Serra Azul; Santa Rita de Cássia, em Cássia dos Coqueiros. Também colaborou com as comunidades de Bento Quirino e Guatapará e exerceu a função de notário da Câmara Eclesiástica de Ribeirão Preto.

Mas uma vida sacerdotal não se mede apenas pelos anos de ministério ou pelas paróquias onde serviu. Mede-se pelas vidas que tocou, pelas consciências que ajudou a formar e pela fé que despertou.

Na comunidade Santa Luzia, onde foi pároco por cerca de 20 anos, foram inúmeros batizados, casamentos, crismas, celebrações, encontros de casais e momentos de formação. Quem viveu aquele período guarda lembranças e reconhece a marca de um sacerdote que fez da missão uma forma de servir.

Padre Antônio tinha também suas peculiaridades. Apreciava uma boa refeição entre amigos e as confraternizações ganhavam dele sempre uma discrição interessante. Era organizado até nos detalhes. Preparou antecipadamente os trajes que desejava usar em seu sepultamento: uma túnica com a imagem de Santa Luzia. Assim foi visto por aqueles que passaram pelo salão paroquial para a última despedida: sereno, revestido de sua fé, como quem atravessa uma porta para encontrar a Casa do Pai.

Sua devoção mariana não se explicava apenas pelo fato de ter nascido em 12 de outubro de 1954, dia de Nossa Senhora Aparecida. Maria estava presente em sua espiritualidade, marcada pela escuta, entrega e confiança em Deus.

Recordo-me de sua chegada à Santa Luzia. Eu era jovem, idealista e acreditava ter muitas ideias para melhorar a comunidade. Escrevi um relatório com observações e sugestões. Padre Antônio leu. E, para minha frustração juvenil, quase nada daquilo foi seguido. Com o tempo, compreendi uma de suas grandes lições: há um tempo para cada coisa.

A paróquia cresceu fisicamente, mas sua maior obra não foi construída com tijolos. Foi edificada na fé, na oração, na formação e no compromisso de seus paroquianos.

Padre Antônio tinha o dom de nos conduzir ao sentido mais profundo da Palavra de Deus. Apresentava o texto bíblico e o contexto histórico, ajudando-nos a compreender sua aplicação em nossa vida pessoal e comunitária. Com sabedoria, mostrava-nos o Cristo divino e o Cristo humano. E recordava que ser cristão não termina dentro da igreja: implica responsabilidade diante da sociedade e compromisso com os mais necessitados.

Por isso, padre Antônio será lembrado não apenas como sacerdote, mas como líder, amigo, formador e, sobretudo, como homem de Deus.Sua missão entre nós terminou, mas seu testemunho permanece. Seus ensinamentos continuarão a ecoar nas pessoas que ajudou a formar e na comunidade que amou.

Antônio Garcia Félix retorna aos braços do Pai. Seus restos mortais repousam em Cássia dos Coqueiros, mas aquilo que verdadeiramente semeou permanece vivo entre nós.

Que Nossa Senhora o acompanhe neste encontro definitivo com Deus. E que Cristo, a quem anunciou durante toda a vida, o receba na plenitude da Ressurreição.

A nós, resta a saudade. E, acima dela, a esperança.Descanse em paz, padre Antônio. Sua vida foi uma missão. Seu testemunho, uma herança. Sua fé, uma semente que continuará a florescer.

* Servidor municipal, advogado, escritor e radialista

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Ascensão de emergentes e o comércio global

Redação

Reciclagem e Imposto de Renda

Redação

A educação de qualidade permitirá que o povo se aproprie do País

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade