Tribuna Ribeirão
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Contra a precarização na saúde pública municipal

Valdir Avelino *
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A busca por uma saúde pública universal, acessível e de qualidade continua sendo um dos maiores desafios do povo brasileiro. Não se trata apenas de ampliar o número de atendimentos ou de abrir novas unidades. A população precisa ser atendida com dignidade, continuidade e eficiência. O verdadeiro desafio está em garantir que esse atendimento chegue a todos, sem perda de qualidade. Crescer é necessário, mas crescer de forma sustentável indispensável.

A experiência de grandes capitais brasileiras mostra que inflar o atendimento de forma precária, sem planejamento adequado e sem estrutura de pessoal qualificada, acaba produzindo um efeito contrário ao esperado pela população e anunciado pelos governos. Onde a terceirização e a precarização avançaram na saúde pública, o resultado foi evidente: aumento do número de atendimentos no papel, mas queda na qualidade real do serviço prestado.

É justamente esse tipo de experiência negativa, apresentada como solução, que precisamos evitar em Ribeirão Preto. Não se trata de negar a necessidade de ampliação dos atendimentos, mas de impedir que esse crescimento siga um caminho que já se mostrou problemático em outras cidades.

É nesse contexto que o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis realizará, no próximo dia 20 de maio, às 18h, em sua sede, uma reunião da seccional da saúde com os trabalhadores do setor. O objetivo é claro: dialogar com os servidores municipais e construir, ao lado deles, um plano de enfrentamento ao processo de precarização do trabalho no serviço público municipal. Trata-se também de levar à sociedade um debate necessário sobre os riscos reais desse modelo, apontando problemas que podem surgir a partir de soluções que não se mostram consistentes nem eficazes.

A realização dessa reunião evidencia outro problema que precisa ser enfrentado com seriedade: a falta de diálogo. Medidas vêm sendo adotadas sem a participação dos trabalhadores e sem a construção conjunta com o Sindicato, o que enfraquece o serviço público. Não há política pública eficiente quando se ignora a experiência de quem executa o atendimento.

A precarização do trabalho na saúde pode até aumentar o número de atendimentos no curto prazo, mas compromete a qualidade, a continuidade e a segurança do serviço no médio e longo prazo.

Onde se abandonou o caminho do concurso público e se optou por modelos baseados na precarização do trabalho, o resultado não foi apenas a piora no atendimento à população. Surgiram também problemas graves de gestão, desorganização dos serviços e fragilidade nos mecanismos de controle administrativo.

Não por acaso, é nesse ambiente que começam a surgir contratos questionáveis, relações pouco transparentes e situações que acabam atraindo a atenção de órgãos de controle e investigação. É um cenário que abre espaço para irregularidades e compromete a credibilidade do serviço público.

A saúde municipal exige responsabilidade, planejamento, diálogo e respeito ao concurso público. Sem isso, qualquer expansão será apenas de aparência, ilusória e problemática.

* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

 

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