Tais Roxo Fonseca *
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A história das grandes eleições presidenciais do Brasil demonstra que a democracia se fortalece quando o centro do debate são as ideias, o programa de governo e a capacidade dos candidatos de apresentar soluções para as dificuldades do país.
Aqui no Brasil já vivemos grandes eleições tendo como candidatos nomes como Tancredo Neves, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola, Ullysses Guimarães, que protagonizaram disputas em que os programas de governo, propostas econômicas, sociais e institucionais ocupavam espaços privilegiados entre nós os eleitores e também entre os candidatos.
Independentemente das preferências políticas de cada eleitor, havia um elemento comum: a população acompanhava debates sobre educação, saúde, emprego, inflação e fortalecimento das instituições democráticas. As divergências existiam e eram intensas mas o confronto de ideias era o instrumento essencial na disputa.
Hoje observamos que o debate eleitoral se perdeu, cedendo espaço para ataques pessoais, desinformação e disseminação de falsas noticias. Durante os jogos recentes da copa mundial, que consagrou a Espanha como campeã , vimos disseminar campanhas colocando o Brasil contra a Argentina , com isso aprofundou mais ainda a discórdia entre nós, população sofrida da baleada América Latina, e colocou a maioria do nosso povo para torcer veementemente para a Espanha.
O que se viu entre os torcedores daqui era que a Argentina é país racista, mas e a Espanha e o Brasil, também não se livraram do racismo. Este ambiente contamina não apenas o debate interno, mas também a relação entre povos que compartilham histórias semelhantes.
O Brasil e Argentina são países marcados por desafios comuns, períodos de ditaduras, desigualdades sociais e longas lutas pela consolidação da democracia. Houve um tempo em que as campanhas eleitorais despertavam esperança no coração do povo, porque colocavam o futuro do Brasil no centro do debate, a eleição de Jucelino Kubitschek simbolizou o período em que o Brasil parecia caminhar para um grande salto.
Sua campanha ficou marcada pela canção Peixe Vivo, “como pode um peixe vivo viver fora da agua fria”. Depois veio Jango com forte programa de reforma agrária. O que presenciamos hoje pelo debate posto é analisar se o candidato x ou y tem ligação com o banqueiro corrupto ou com facções criminosas. Não há outro discurso entre a nação que não seja questões pessoais deintorlerância e preconceito.
Quem não lembra da linda campanha de Tancredo Neves em 1984, foi um marco de esperança e redemocratização. Apoiada pelo movimento das diretas, reuniu multidões nas ruas e contou com a voz marcante da cantora Fafá de Belém que emocionou o pais cantando o hino nacional e menestrel das alagoas.
O povo brasileiro precisa dizer não ao debate de baixo nível e exigir candidatos com programas de governo consistentes, metas claras e compromisso com o aperfeiçoamento democrático do pais. Quantos jovens atualmente passam o mês inteiro doando sua vida exclusivamente ao trabalho para no fim do mês receber um salário tão pequeno sem condições de pagar nem mesmo o aluguel.
Leonel Brizola que não podia deixar de ressaltar aqui, dizia que política se faz com coragem e compromisso com o povo e a defesa intransigente da democracia.
Outra mensagem do Brizola que pode servir para inspirar a campanha eleitoral próxima: Não defendemos interesses pessoais. Defendemos a constituição, a legalidade e o direito do povo brasileiro de ver respeitada sua vontade porque a democracia somente existe quando a lei vale para todos. Fica aqui a mensagem que a próxima campanha seja lembrada não pelos conflitos mas pela esperança despertada no coração do povo brasileiro.
* Advogada

