Rui Flávio Chúfalo Guião *
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A Bahia ocupa lugar especial na mente e carinho dos brasileiros, pelas suas belezas naturais, seu povo amigável, sua história. A grande quantidade de escravos para lá levada, no sombrio tempo de vergonha nacional, propiciou uma miscigenação e uma mistura de religiões, crenças que transformaram a Bahia num estado único de nossa federação.
A capital Salvador representa bem este sincretismo: primeira capital da colônia, banhada pela Baia de Todos os Santos, bafejada por um mar de águas quentes, cheia de igrejas de riquíssima decoração esbanja um clima de festa, com suas baianas oferecendo acarajé nas ruas,seus mercados de artesanato típico, tudo presidido pelo seu elevador público, o Lacerda, o primeiro urbano do mundo, inaugurado em 1873.
Sua culinária, sempre salientando o forte ardor das pimentas, seus licores artesanais, seus quindins, cocadas, arrozes-doces tornam inesquecível a experiência dos visitantes e nativos.
Além de tudo isto, a Bahia foi o local da consolidação de nossa Independência.
Todos sabemos que, com o retorno de D.João VI, Rei do Reino Unido de Portugal , Brasil e Algarves à sede do reino, os portugueses iniciaram enorme campanha para que o Brasil retornasse à condição de colônia. O Príncipe Regente D. Pedro, aconselhado pela Princesa D. Leopoldina e por José Bonifácio de Andrada e Silva e atendendo aos clamores da população, tornou o país independente com o brado paulista de 7 de setembro de 1822.
A independência não foi pacífica, pois havia muitas tropas portuguesas nas províncias. D. Pedro I teve de lutar em várias frentes para assegurar nosso desligamento de Portugal. Desde o 7 de setembro, combates entre os defensores da independência e tropas lusas ocorreram na Bahia, Piauí, Maranhão e Pará.
Foi na Bahia, porém, que se deram os últimos confrontos.
A resistência começou no Recôncavo Baiano, aglutinando fazendeiros, senhores de engenho, trabalhadores e roceiros voluntários, negros forros e escravizados e se estendeu rumo à capital, onde estava o remanescente das tropas portuguesas.
No dia 2 de julho de 1823, depois de longo cerco das tropas baianas, que lhe deixaram sem víveres, o Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, comandante das tropas portuguesas e também Governador Geral da Província, abandona a cidade de Salvador e foge para Lisboa.
Comandava o Exército Libertador José Joaquim de Lima e Silva, pai do futuro Duque de Caxias, que contou com a ajuda da esquadra comandada por Lorde Cochrane, contratado pelo Imperador para montar a Marinha Nacional.
Algumas mulheres baianas foram reconhecidas como heroínas nacionais. A primeira delas, Maria Quitéria, fugiu de casa para auxiliar na luta contra os portugueses. Disfarçou-se de homem, participou de combates e descoberto seu sexo, recebeu do Imperador o título de primeira soldado mulher do Exército.
Outra, foi a Madre Joana Angélica, abadessa do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, em Salvador, que ao impedir a entrada dos soldados portugueses na abadia, foi por eles morta a golpes de baioneta, tornando-se assim a primeira mártir da independência.
Menos conhecida, mas igualmente fundamental para a vitória baiana contra os portugueses, foi Maria Felipa de Oliveira. Negra, pescadora, ágil capoeirista, coordenouum grupo de 40 mulheres que infligiu danos continuados à esquadra inimiga ancorada na Baia de Todos os Santos.
A data de 2 de julho é considerada a maior comemoração cívica da Bahia.
* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

