O Sesc Ribeirão Preto abre em 23 de julho a exposição “Floresta Interior”, do artista e educador Gui Teixeira com curadoria de Lucila de Jesus. O ponto de partida é uma pergunta em aberto: e se os sonhos fossem uma floresta dentro de nós? A instalação parte da ideia de que sonhar não é apenas uma função do cérebro, mas uma prática ancestral com dimensões coletivas e culturais profundas.
A pesquisa de Lucila de Jesus, psicanalista que investigou o universo onírico entre os Kamayura no Xingu durante o doutorado, atravessa a curadoria e dá lastro antropológico a essa leitura. Ela entende o sonho como comunicação silenciosa e as “Rodas de Sonho” como dispositivo de saúde pública e construção de sentido coletivo. A instalação se estrutura em três áreas nomeadas por verbos, conforme o partido projetual concebido por Gui Teixeira e desenvolvido pelo arquiteto e expógrafo, Affonso Malagutti.
Na zona Construir, o visitante é recebido por um conjunto de 22 mesas, baixas o suficiente para que crianças as utilizem com autonomia e organizem-nas livremente. Ao longo das paredes, estantes abastecidas com blocos de madeira, pedras, galhos, espumas e figuras de papel convidam o público a erguer arquiteturas imaginárias inspiradas nos próprios sonhos. A grande mesa central funciona como território de criação coletiva: os relatos que chegam do “Painel de Sonhos”, próximo à entrada, viram matéria para as construções. Na mesma área, um painel de madeira serve como mural coletivo de memórias oníricas. A mediação da equipe educativa do Sesc Ribeirão Preto é central no projeto: é ela que ativa a escuta, conecta os relatos e orienta o percurso.
Na área intermediária, chamada Compartilhar, painéis com chapas de acrílico translúcido dividem o espaço e funcionam como superfície para jogos de sombra. Fontes de luz variadas projetam nas paredes as silhuetas dos objetos dispostos sobre as mesas, cria uma encenação poética que muda a cada visita. A ideia é produzir bonecos de papel para teatro de sombras a partir dos personagens e seres descritos nos sonhos dos visitantes, acumulando ao longo dos meses um bestiário coletivo do imaginário.
No fundo da sala, a zona Sonhar muda completamente de registro. Uma divisória translúcida delimita o último terço do espaço, onde o piso de carpete preto cede lugar a um tatame de madeira recoberto pelo mesmo carpete e pontuado por peças modulares de espuma cinza, dispostas para descanso ou livre remontagem. A iluminação é mais baixa, a trilha sonora ligeiramente mais intensa e o ambiente convida ao repouso e à contemplação. É também o espaço de atividades programadas: rodas de partilha de sonhos, contações de histórias, pequenas palestras e apresentações musicais.
A experiência extrapola o espaço expositivo. O redário instalado no jardim interno do Sesc receberá caixas de som escondidas na vegetação, próximas às redes, que tocarão em volume muito baixo a paisagem sonora da exposição intercalada com relatos de sonhos enviados por WhatsApp pelos próprios visitantes. No corredor ao lado da sala expositiva, a “Parede Educativa” ocupa um espaço de alto fluxo com lousas em formas geométricas que evocam montanhas e ilhas, nas quais os visitantes são convidados a escrever e desenhar. A mesma ambientação sonora do redário pode ser ativada no local.
“Floresta Interior” é a primeira montagem dessa pesquisa de Gui Teixeira em formato expositivo. O projeto expográfico, assinado por Affonso Malagutti, e a iluminação cênica, concebida por Michel Mika Masson, foram desenvolvidos em diálogo direto com a proposta do artista.
Teixeira, que nasceu em 1977, formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 1999 e concluiu o mestrado em Artes Visuais pela ECA-USP em 2010, pesquisa aproximações entre arte e pedagogia, entre o brincar e a ação política. Já participou do Programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, da exposição “Daquilo Que Me Habita” no CCBB de Brasília, da Mostra Sesc de Artes e da exposição “Deslize” no Museu de Arte do Rio.
Serviço
Floresta Interior
Artista: Gui Teixeira
Curadoria: Lucila de Jesus
Projeto expográfico: Affonso Malagutti
Iluminação: Michel Mika Masson
Abertura: 23 de julho de 2026 (quinta-feira) às 19h30
Encerramento: 28 de fevereiro de 2027
Local: Sesc Ribeirão Preto – Rua Tibiriçá, 50, Centro
Horários: terça a sexta, das 13h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h
Entrada: gratuita
Agendamento de grupos escolares e instituições para visitas mediadas: [email protected]

