Tribuna Ribeirão
Economia

Idoso engrossa lista de novos devedores

MARCELO CAMARGO/AG.BR.

Quase a metade dos dois milhões de brasileiros que en­grossaram a lista de inadim­plentes nos últimos doze meses até abril é de idosos e essa foi a faixa etária que puxou a inadim­plência no período. Enquanto o total de inadimplentes cresceu 3,2% entre abril de 2018 e abril deste ano, a fatia de devedores com mais de 61 anos de idade aumentou 10,5%. Havia 8,6 mi­lhões de idosos inadimplentes em abril de 2018 e esse contin­gente subiu para 9,5 milhões em abril deste ano, segundo a Serasa Experian, empresa de informa­ções financeiras. 

 

“Os idosos representaram 45% do aumento do total de inadimplentes e são apenas 18% da população adulta”, afirma o economista da Serasa, Luiz Rabi. Um dos fatores que tem contri­buído para o aumento do calote dos idosos é o avanço dos preços dos itens mais consumidos pelas pessoas da terceira idade. Em doze meses até março, a inflação da terceira idade cresceu 5,37%, segundo a Fundação Getulio Vargas. É um resultado que su­pera o Índice de Preços ao Con­sumidor (IPC), calculado pela mesma instituição, que subiu 4,88% em igual período. 

 

Outro fator é que os idosos também acabam sendo usados como fonte de renda para so­correr familiares que perderam o emprego, diz o economista. Assim, muitos, após atingirem o limite do crédito consignado da aposentadoria, vão ao mercado buscar outras linhas de finan­ciamento. Eles acabam ficando sem condições de honrar os em­préstimos com a aposentadoria que resta após os descontos. 

 

No crédito consignado pra­ticamente não existe inadim­plência, só em caso de óbito. A prestação do financiamento, que pode comprometer cerca de 30% da renda, é descontada automaticamente da aposenta­doria ou pensão. Só que, quando o idoso busca outras linhas além do consignado, sobram poucos recursos para ele gastar com despesas básicas. Resultado: ele acaba ficando inadimplente. 

 

Contas de luz, água e gás, isto é, despesas básicas, puxa­ram a inadimplência do con­sumidor em abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as dívidas com bancos ficaram es­táveis, aponta a Serasa. Dados do Banco Central que mostram que a inadimplência dos em­préstimos no sistema financeiro vem desacelerando desde 2017. 

 

Rabi explica que geralmente os inadimplentes dão priorida­de para quitar primeiro as pen­dências com o sistema financei­ro para não ficar bloqueado no cartão de crédito e no cheque especial. Dos dois milhões de brasileiros que engrossaram a lista de inadimplentes nos últi­mos doze meses a maior parte foi pelo fato de ter atrasado o pagamento de contas de servi­ços de utilidade pública. “Não pagar essas contas de serviços é um claro sinal de gravidade, mas é contornável”, diz. 

 

Em Ribeirão Preto, segundo a Serasa Experian, o número de inadimplentes aumentou 10,4% em abril deste ano na compara­ção com o mesmo período de 2018, de 241.259 para 266.374, com 25.115 devedores a mais. Significa que 38,3% da popu­lação da cidade, estimada em 694.534, de acordo com, o Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem alguma conta em atraso. 

 

A média municipal de eleva­ção dos débitos é superior à na­cional (3,1%) e à estadual (5,9%). Com base no valor médio das dívidas, de R$ 3.239,48 segundo dados apurados pela Confede­ração Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), e considerando que cada ribeirão-pretano inadimplente tenha apenas um débito, o mon­tante chega a R$ 862.913.245,52. 

 

Levantamento da CPFL Paulista, distribuidora que aten­de a 234 municípios no interior de São Paulo, aponta que Ribei­rão Preto é a cidade na sua área de atuação com o maior núme­ro de clientes inadimplentes. A empresa realiza quase 130 mil ações de cobrança nas 309.817 unidades consumidoras do município que totalizam uma inadimplência de aproximada­mente R$ 18 milhões. O núme­ro de devedores representa qua­se 42% do total de clientes da concessionária no município. 

 

Ainda segundo a CPFL Paulista, Ribeirão Preto tam­bém é campeã no ranking de clientes com contas de energia atrasadas há mais de 30 dias na área de atuação da concessio­nária. Amparada por medidas legais, a companhia realizou o corte do fornecimento de ener­gia em mais de duas mil uni­dades consumidoras no muni­cípio. Somados, os valores em atraso desses clientes chegam a mais de R$ 1 milhão. 

 
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