Tribuna Ribeirão
Política

Liberados recursos da Via Leste/Oeste

Carlos Antonio Vieira, Miriam Belchior, Ricardo Silva e Daniel Gobbi: contrato libera R$ 263.157.894,74 para a primeira etapa de obraws da Via Leste-Oeste | Créditos: Alfredo Risk

O prefeito Ricardo Silva (PSD), a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antonio Vieira, assinaram nesta sexta-feira, 18 de setembro, o contrato para a liberação da primeira parcela do financiamento para a implantação do corredor de mobilidade urbana da Via Leste-Oeste de Ribeirão Preto. A obra foi dividida em seis etapas e os recursos são do Programa Avançar Cidades.

O evento de assinatura ocorreu no Centro Administrativo Prefeito José de Magalhães, sede da prefeitura de Ribeirão Preto, e contou com a presença do presidente da Câmara, Daniel Gobbi (PP). A primeira etapa, correspondente ao trecho do Morro da Vitória, terá investimento de R$ 263.157.894,74, sendo R$ 250 milhões de financiamento e R$ 13.157.894,74 de contrapartida do município. Os recursos federais são do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Com aproximadamente 2,5 quilômetros de extensão, o trecho prevê uma ponte estaiada sobre a Rodovia Anhanguera (SP-330) que interligará os bairros da região do Candido Portinari e o campus da Instituição Moura Lacerda, no chamado Morro da Vitória, avançando em direção ao eixo das avenidas João Bim e Clóvis Bevilacqua.

“Hoje damos um passo histórico para a mobilidade de Ribeirão Preto. A Via Leste-Oeste vai transformar a forma como a nossa cidade se conecta, levando novas alternativas de circulação, transporte coletivo, ciclovias e infraestrutura para diferentes regiões”, afirma o prefeito Ricardo Silva.

Este tipo de ponte tem pilares centrais alto feitos de concreto ou aço que suportam todo o peso e recebe a tensão dos cabos de aço de alta resistência que saem do alto do mastro e se prendem diretamente na pista.  A intervenção vai melhorar principalmente a conexão da região do Parque Residencial Cândido Portinari e Parque dos Flamboyans, que hoje possuem uma barreira física importante representada pela Anhanguera.

Além desses bairros, a nova ligação terá influência sobre outros pontos da Zona Leste, como Jardim Ângelo Jurca, Jardim José Figueira, Jardim Zara, Jardim Paulistano, parte do Parque São Sebastião e Parque das Gaivotas, especialmente pela melhoria da circulação e das conexões com os corredores existentes. A estimativa é que após a licitação e assinatura do contrato, as obras da primeira etapa sejam concluídas em dois anos.

Obra geral – O investimento total na Via Leste-Oeste terá repasse de até R$ 1.093.319.450,64 do governo federal. A contrapartida do município é estimada em R$ 57.543.128,99, totalizando R$ 1.150.862.579,63. O financiamento será em 240 meses (20 anos), gerenciado pela Caixa Econômica Federal.

O projeto completo prevê 27,1 quilômetros de intervenção viária, divididos em quatro grandes trechos: Morro da Vitória, Tanquinho/Lagoinha, Via Norte e Rio Pardo. O corredor foi pensado no conceito de vias completas, com faixas para veículos, faixas exclusivas para ônibus, ciclovias, calçadas acessíveis, drenagem, iluminação, sinalização, redes de infraestrutura urbana e áreas verdes.

No projeto estão previstos cerca de 13,7 km de corredor exclusivo de ônibus em via dupla e aproximadamente 35 km de ciclovias bidirecionais segregadas, além de pontos de parada no canteiro central e estrutura voltada à melhoria da velocidade e da eficiência do transporte coletivo.

Outro ponto destacado pelo prefeito Ricardo Silva é a superação de barreiras físicas que hoje dificultam a circulação entre diferentes regiões da cidade. O projeto prevê 31 obras de arte especiais, entre pontes, transposições e passarelas.

Dessas, 18 serão pontes completas, atendendo veículos, pedestres e ciclistas, e 13 serão estruturas exclusivas para mobilidade ativa, principalmente para pedestres e ciclistas.

O corredor também contempla intervenções sobre os córregos das Palmeiras, Tanquinho, Ribeirão Preto e dos Campos, permitindo novas conexões viárias e reduzindo pontos de ruptura existentes na malha urbana.

Na parte ambiental, a proposta prevê aproximadamente 100 hectares de áreas verdes, implantação de parques lineares, recuperação de áreas de preservação e soluções de micro e macrodrenagem baseadas no conceito de cidade esponja, com áreas capazes de contribuir para o amortecimento de cheias e redução de riscos de inundação.

Também prevê a transformação do eixo da avenida Rio Pardo, onde o antigo ramal ferroviário desativado deverá ser convertido em um parque linear integrado ao corredor de ônibus, criando uma nova estrutura de mobilidade, lazer e integração urbana.

A Via Leste-Oeste é um projeto cogitado desde os anos 1960 e prevê a construção de uma avenida que servirá de ligação entre a avenida Eduardo Andrea Matarazzo (Via Norte) e o bairro Lagoinha, às margens do córrego. Entre as principais vantagens para a construção da avenida seria a redução no tempo de viagem entre várias regiões da cidade.

Investimento total na Via Leste-Oeste terá repasse de até R$ 1.093.319.450,64 | Divulgação

Entretanto, ao longo dos governos municipais, o projeto nunca saiu do papel. Atualmente naquela região – em parte do córrego Tanquinho – existe a avenida Guido Golfeto, uma via de aproximadamente 950 metros de extensão que liga a avenida Quito Junqueira e a rua Onze de Agosto, no bairro Campos Elíseos.

No começo de março, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto criou uma Comissão Especial de Estudos (CEE) para acompanhar a liberação dos recursos para as obras. Integram a Comissão os vereadores Daniel Gobbi (Progressistas), Perla Müller (PT) e Rangel Scandiuzzi (PSD), que atuam como presidente, relatora e membro, respectivamente.

Também estão previstas soluções para amortecimento de cheias, manejo sustentável de águas pluviais e reconstituição de Área de Preservação Permanente (APP), ampliando a resiliência ambiental das áreas impactadas. O projeto inclui desapropriações, requalificação de vias, construção de pontes e adequações urbanas e viárias.

Sobre as desapropriações, já existe uma base prévia elaborada conforme as diretrizes do Programa Avançar Cidades, do Ministério das Cidades, e a estimativa atual gira em torno de R$ 150 milhões, valor já contemplado no escopo do financiamento.

O modelo prevê que sejam financiadas as desapropriações que não impliquem deslocamento involuntário de pessoas, enquanto imóveis comerciais poderão ser integralmente indenizados, quando necessário. A proposta vai além da ampliação viária e representa uma transformação urbana completa.

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