Tribuna Ribeirão
Justiça

Mais 70 golpistas viram réus

JOEDSON ALVES/AG.BR.

O Supremo Tribunal Fe­deral (STF) aceitou nesta sex­ta-feira, 9 de junho, ao formar maioria, mais 70 de 215 denún­cias restantes que envolvem os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando centenas de bolsonaristas radicais invadi­ram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República.

Este é o sétimo lote de acu­sações ligadas ao 8 de janeiro. A sessão deveria terminar às 23h59 desta sexta-feira. Já são 1.245 réus, totalizando 89,6% das 1.390 denúncias apresen­tadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os julga­mentos ocorrem no plenário virtual, modalidade na qual os ministros têm um período para votar pelo modo eletrônico, sem deliberação presencial.

Nesta leva, seis denúncias são relativas a investigados acu­sados de participação direta nos atos. Neste caso, os crimes im­putados são mais graves, entre os quais associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, deterioração de patri­mônio tombado e dano quali­ficado ao patrimônio da União.

As outras 64 denúncias em julgamento são relativas a incita­dores dos atos golpistas, sobretu­do aqueles que acamparam por semanas em frente ao Quartel­-General do Exército, em Brasí­lia, local em que se pedia aber­tamente a intervenção militar sobre o resultado da eleição.

Os crimes imputados são de associação criminosa e incita­ção à animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais. O placar fi­nal deve ser o mesmo dos seis julgamentos anteriores: oito a dois. Porém, até as 19 horas de ontem estava seis a um.

Os ministros Alexandre de Moraes, relator das investiga­ções, Rosa Weber, Luiz Fux, Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes votaram para tornar os extremistas réus. Kas­sio Nunes Marques discordou. Faltavam os votos de Luís Ro­berto Barroso, Cármen Lúcia e André Mendonça.

O Supremo Tribunal Fede­ral tem dez magistrados desde a aposentadoria de Ricardo Lewa­ndowski, em 11 de abril. Cristia­no Zanin foi indicado pelo pre­sidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a nomeação depende de aprovação no Senado.

Para os ministros indica­dos ao STF por Jair Bolsonaro (PL), as denúncias apresentam problemas por não individua­lizarem a contento a conduta de cada acusado, entre outros pontos. Nunes Marques afir­ma que o STF sequer deveria estar analisando as denúncias, porque os acusados não têm direito a foro privilegiado.

Ao manter o caso sob sua tu­tela, o STF busca uniformizar as ações, o que seria impossível se o processo fosse desmembrado na primeira instância. A PGR afirma que o acampamento em frente ao QG do Exército vi­rou um ponto de organização e apoio para os atos golpistas.

Uma vez aceita uma denún­cia criminal, inicia-se nova fase do processo, em que são ouvi­das testemunhas e na qual pode haver produção de provas. Em seguida, acusação e defesa de­vem apresentar, no caso a caso, para cada réu, suas alegações fi­nais. Somente depois disto, ha­verá julgamento sobre eventual condenação dos envolvidos. Não há prazo definido para que isso ocorra.

Em 29 de maio, o Supremo Tribunal Federal tornou réus mais 131 envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Depois deste sétimo julgamento, ainda faltarão mais 145 denúncias. Até agora, são 100 da primeira roda­da (18 a 24 de abril) e 200 da se­gunda (25 de abril a 2 de maio).

No terceiro julgamento (3 a 8 de maio), mais 250 de­núncias foram recebidas. Na quarta rodada (9 a 15 de maio) foram mais 245. Na quinta fase (16 a 22 de maio) foram rece­bidas mais 249 denúncias, e na sexta (23 a 29 de maio) mais 131. Agora, nesta sétima etapa (2 a 9 de junho), são mais 70.

Os prejuízos somam R$ 26,2 milhões. Este valor envol­ve R$ 11,4 milhões referentes ao prédio do Supremo Tribu­nal Federal. Ainda considera prejuízos calculados pelo Pa­lácio do Planalto (R$ 7,9 mi­lhões), Câmara dos Deputados (R$ 3,3 milhões) e Senado (R$ 3,5 milhões). O STF autorizou o bloqueio de bens e valores dos supostos financiadores até o limite de R$ 40 milhões.

Dez moradores da região de Ribeirão Preto já viraram réus. São seis de Franca, dois de Ribei­rão Preto, um de Guariba e outro de Nuporanga. Eles responde­rão pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado e incitação ao crime.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

STF: Fachin assume relatoria de ação sobre conversas entre Moraes e Vorcaro

William Teodoro

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master

William Teodoro

STF decide limitar gratuidade em ações na Justiça do Trabalho

William Teodoro

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade