Com o início das convenções partidárias, Ribeirão Preto entra oficialmente no ciclo eleitoral de 2026 apresentando uma ampla diversidade de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. A cidade reúne nomes diversos: parlamentares em busca da reeleição, ex-prefeitos, vereadores, empresários e estreantes. Mais importante do que a quantidade de candidaturas, porém, será a capacidade do eleitor de avaliar propostas, histórico de atuação e compromisso efetivo com os interesses da cidade e da região. Democracia não se fortalece pelo número de candidatos, mas pela qualidade da escolha.
A representatividade política tem peso direto no desenvolvimento regional. Segundo a Constituição Federal, deputados federais são responsáveis por legislar sobre temas nacionais, fiscalizar o Poder Executivo e participar da definição do Orçamento da União, enquanto deputados estaduais atuam na elaboração de leis estaduais, fiscalização do governo paulista e destinação de recursos por meio de emendas parlamentares. Municípios com bancadas articuladas costumam conquistar maior capacidade de influenciar investimentos em infraestrutura, saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento econômico. Ter representantes é importante; ter representantes atuantes é indispensável.
Ao mesmo tempo, as eleições exigem um eleitorado mais atento. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de pesquisas como Datafolha e Quaest mostram que grande parcela dos brasileiros não se lembra em quem votou para deputado poucos meses após a eleição e acompanha pouco o desempenho dos parlamentares. Esse distanciamento reduz a capacidade de fiscalização da sociedade e enfraquece um dos pilares da democracia: a prestação de contas. O voto não encerra o dever do cidadão; inaugura uma relação de acompanhamento permanente do mandato.
Ribeirão Preto terá a oportunidade de ampliar ou renovar sua representação política. Mas isso dependerá menos das estratégias de campanha e mais da maturidade do eleitor. Em tempos de redes sociais, marketing digital e polarização, cresce a tentação de escolher candidatos por afinidade ideológica, popularidade ou visibilidade. O voto consciente exige mais: conhecer propostas, avaliar resultados anteriores, verificar coerência entre discurso e prática e compreender as atribuições de cada cargo. Afinal, deputados não administram cidades, mas influenciam diretamente as condições para que elas cresçam. E é essa compreensão que transforma uma eleição em verdadeiro exercício de cidadania.

