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Ministro destaca turismo como instrumento de desenvolvimento

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À frente do Ministério do Turismo desde o final do ano passado, Gustavo Feliciano diz ter orgulho do trabalho que sua pasta tem desenvolvido para consolidar o setor como instrumento estratégico de desenvolvimento econômico e inserção social.

Um dos principais programas desenvolvidos é o que disponibiliza uma linha de crédito para os microempreendedores do turismo cadastrados no CadÚnico e no Cadastur. A linha disponibiliza recursos para que eles invistam em seus negócios por meio de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur).

O Ministério também tem investido em ações e na parceria com a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), promovendo a imagem do Brasil no exterior como importante polo para o turismo internacional, sempre com foco na sustentabilidade e na valorização da diversidade cultural e natural do país. Somente nos sete primeiros meses de 2026, o Brasil recebeu 5,8 milhões de turistas internacionais. Confira a entrevista concedida ao Tribuna Ribeirão.

Tribuna Ribeirão – O senhor comanda o Ministério do Turismo há quase um ano. Que avaliação faz deste período?

Gustavo Feliciano – O balanço é extremamente positivo. Assumimos a missão de transformar a vocação natural e cultural do Brasil em resultados econômicos concretos na ponta, e os dados de 2026 confirmam que o setor vive um momento histórico de quebra de recordes. Alcançamos marcas inéditas tanto no turismo interno quanto no fluxo internacional, e esse aquecimento resultou em uma força de trabalho cada vez mais robusta. O estoque total de empregos formais gerados pelo turismo no país superou a marca de 2,44 milhões de trabalhadores ocupados, consolidando o segmento como um dos maiores empregadores do Brasil. Mais do que números e estatísticas, a nossa grande conquista foi consolidar o turismo como uma política pública estratégica de Estado para a inclusão social, o combate às desigualdades e a distribuição direta de renda. Trabalhamos para que o dinheiro deixado pelo visitante chegue ao pequeno comerciante, ao guia de turismo local e a toda a comunidade.

“Alcançamos marcas inéditas tanto no turismo interno quanto no fluxo internacional, e esse aquecimento resultou em uma força de trabalho cada vez mais robusta”

Tribuna Ribeirão – O Ministério está desenvolvendo um programa de linha de crédito para Microempreendedores do Turismo. Como ele funciona?

Gustavo Feliciano – Essa é uma das nossas pautas mais prioritárias. A democratização do crédito é a ferramenta mais eficaz para emancipar o micro e o pequeno empreendedor. O financiamento – que proporciona capital de giro, obras e a compra de equipamentos para MEIs inscritos no CadÚnico, instrumento que identifica famílias em situação de vulnerabilidade; e também no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos) – é operado por meio do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), uma das nossas principais alavancas de fomento. O grande diferencial está na simplificação do acesso: eliminamos as principais barreiras burocráticas ao contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), por meio do Programa Acredita no Primeiro Passo, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o que dispensa a apresentação de garantias reais por parte do empreendedor aos agentes financeiros credenciados a conceder o crédito. Além disso, o Sebrae oferece apoio técnico direto na formatação das propostas de financiamento, garantindo que o pequeno empresário apresente um projeto consistente e viável.

Tribuna Ribeirão – Como os microempreendedores podem se candidatar e participar deste projeto?

Gustavo Feliciano – O processo foi pensado para ser ágil, transparente e desburocratizado. A porta de entrada e requisito legal indispensável é a inscrição ativa no Cadastur, processo este 100% online e totalmente gratuito através do site do Ministério (www.cadastur.turismo.gov.br). Também é preciso estar no CadÚnico do Governo Federal, utilizado como critério de priorização e inclusão. A inscrição no CadÚnico exige renda mensal individual de até meio salário mínimo (R$ 759) ou familiar de até três mínimos (R$ 4.554). Com a regularidade nos dois sistemas e a documentação do negócio em mãos, o empreendedor deve procurar um agente financeiro credenciado ao Fungetur, que, em São Paulo, incluem a Caixa Econômica Federal, a Desenvolve SP (Agência de Fomento do Estado de São Paulo), a Cresol Baser e a Cresol Sicoper, entre outros. São essas instituições financeiras que realizam a análise de crédito final e operacionalizam a liberação dos recursos.

“A democratização do crédito é a ferramenta mais eficaz para emancipar o micro e o pequeno empreendedor”

Tribuna Ribeirão – Qual o prazo do financiamento, o tempo de carência e as taxas de juros deste programa?

Gustavo Feliciano – Desenhamos condições operacionais bastante vantajosas quando comparadas ao sistema financeiro privado tradicional, justamente para garantir a sustentabilidade do pequeno negócio, a segurança orçamentária e a saúde financeira do micro e pequeno empreendedor que faz o turismo acontecer na ponta. O financiamento foi estruturado com um prazo total de pagamento de até 24 meses, com direito a um período de carência de até seis meses para o início da quitação das parcelas, permitindo que o empresário tenha o fôlego necessário para estruturar suas operações antes de começar a honrar os compromissos do empréstimo. Todo esse modelo é suportado pelos encargos financeiros mais competitivos do mercado, fixados em até 5% ao ano, acrescidos da variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Trata-se de uma política de fomento desenhada sob medida para desonerar o empreendedor, derrubar as barreiras do crédito bancário comum e assegurar que o pequeno investimento se converta em emprego, renda e desenvolvimento.

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Tribuna Ribeirão – Em sua análise, qual a importância dos microempreendedores individuais para a cadeia do turismo brasileira?

Gustavo Feliciano – Eles representam a verdadeira força motriz do turismo nacional. Mais de 90% dos serviços do setor são compostos por MEIs, micro e pequenas empresas. O turismo não é feito apenas por gigantes corporativos, ele ganha vida e identidade no pequeno restaurante familiar de culinária regional, na pousada gerida por moradores locais, no trabalho fundamental do guia de turismo credenciado e na cooperativa de artesãos. Esses pequenos atores possuem uma enorme capacidade de retenção de valor no território: cada real gasto por um visitante nesses estabelecimentos circula imediatamente dentro da própria comunidade. Isso gera um efeito multiplicador direto no comércio, cria novos postos de trabalho e promove uma inclusão socioeconômica real, rápida e transformadora. Garantir suporte e crédito para o microempreendedor é assegurar a distribuição da riqueza gerada pelo turismo brasileiro.

Tribuna Ribeirão – Qual a importância de Ribeirão Preto integrar o Mapa do Turismo Brasileiro como parte da região turística Raízes do Campo?

Gustavo Feliciano – A presença ativa no Mapa do Turismo Brasileiro é muito mais do que um cadastro formal: trata-se de uma validação institucional que atesta a governança, a organização do ecossistema local e o compromisso real do município com o desenvolvimento sustentável do setor. Integrar o Mapa coloca Ribeirão Preto em uma posição de destaque estratégico na prateleira do turismo paulista e nacional. Com isso, o município fortalece a sua identidade regional integrada, conectando a pujança do seu turismo de negócios e gastronômico a rotas de agroturismo, turismo rural e de experiência. Essa sinergia contribui para ampliar o tempo de permanência do visitante na cidade, elevar o tíquete médio de consumo no comércio local e potencializar diretamente a geração de emprego, renda e inclusão social para toda a população de Ribeirão Preto e região.

“O turismo não é feito apenas por gigantes corporativos, ele ganha vida e identidade no pequeno restaurante familiar de culinária regional, na pousada, no trabalho fundamental do guia de turismo credenciado e na cooperativa de artesãos”

Tribuna Ribeirão – O Ministério tem dados sobre adesão de Ribeirão Preto neste programa?

Gustavo Feliciano – O fato de Ribeirão Preto integrar o Mapa do Turismo Brasileiro como município turístico é a comprovação técnica de que a cidade possui fortes indicadores positivos no segmento, registrando um expressivo número de empregos formais gerados nas atividades características do turismo e uma arrecadação tributária ligada ao setor que a consolida como uma das economias mais dinâmicas do interior de São Paulo. Estar no Mapa do Turismo Brasileiro é um requisito central para o planejamento estratégico e o verdadeiro desenvolvimento do setor. É a partir do Mapa que o Governo Federal identifica as prioridades regionais, diagnostica as necessidades e direciona políticas públicas. A presença no Mapa permite que o poder público e o empresariado local trabalhem integrados, fazendo com que a cidade planeje o crescimento da sua atividade turística de forma ordenada, sustentável e com visão de longo prazo.

Tribuna Ribeirão – Que ações específicas o Ministério tem desenvolvido para a região de Ribeirão Preto?

Gustavo Feliciano – Uma delas é a própria disponibilidade de crédito via Fungetur, que, é importante destacar, não atende somente MEIs, mas abrange toda a cadeia produtiva, contemplando desde micro, pequenas e médias empresas até negócios de maior porte do setor turístico. Isso permite que meios de hospedagem, restaurantes, transportadoras, parques temáticos e organizadores de eventos de Ribeirão Preto e região, independentemente do porte, possam reformar, ampliar, adquirir equipamentos e modernizar suas estruturas de atendimento. Além disso, reforçamos constantemente a nossa presença institucional e o alinhamento técnico com os municípios paulistas. Um exemplo recente foi a participação do Ministério do Turismo no encontro da Amitesp (Associação dos Municípios de Interesse Turístico do Estado de São Paulo), realizado em Marília. Na ocasião, foram detalhadas as ações de apoio proporcionadas pelo Governo Federal por meio do Programa de Regionalização do Turismo, reafirmando o compromisso de fortalecer a governança regional, a estruturação dos destinos e a integração dos circuitos turísticos do interior do estado.

Tribuna Ribeirão – Ribeirão Preto é considerado um importante polo de turismo de eventos e negócios nos mais diferentes setores. Como o Ministério pode ajudar a potencializar ainda mais o setor?

Gustavo Feliciano – O apoio proporcionado por meio do Fungetur e da orientação técnica quanto a programas federais que favorecem o crescimento do setor contribui para que a cidade se estruture cada vez melhor e aproveite o momento histórico do turismo brasileiro. Os números nacionais do turismo de negócios e eventos falam por si: de janeiro a julho desse ano, o Brasil bateu um recorde histórico e movimentou R$ 8,4 bilhões, representando um crescimento de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado consolida uma trajetória ascendente vinda do ano de 2025, que fechou com o melhor faturamento da história do turismo corporativo, atingindo a marca de R$ 13,7 bilhões. Esse segmento é vital para a economia nacional porque possui o maior tíquete médio de consumo de toda a indústria do turismo, além de combater diretamente a sazonalidade e movimentar dezenas de atividades econômicas simultâneas.

“O fato de Ribeirão Preto integrar o Mapa do Turismo Brasileiro como município turístico é a comprovação técnica de que a cidade possui fortes indicadores positivos no segmento”

Tribuna Ribeirão – Nos sete primeiros meses do ano, o Brasil recebeu 5,8 milhões de turistas internacionais. Que avaliação o senhor faz desses números e como o Ministério tem trabalhado para atrair mais turistas?

Gustavo Feliciano – Essa marca evidencia o reconhecimento global do imenso potencial turístico do Brasil e da consolidação do nosso país como um dos destinos mais desejados do planeta. E isso se traduz em impacto econômico direto: os gastos de turistas internacionais no Brasil, por exemplo, atingiram a marca histórica de R$ 33,6 bilhões de janeiro e julho de 2026, uma alta de quase 10% na comparação com os sete primeiros meses de 2025. Esses resultados são fruto de uma estratégia integrada.

Trabalhamos em estreita parceria com a Embratur para ampliar a conectividade aérea nacional e na promoção da nova imagem do Brasil no exterior, pautada pelo compromisso com a sustentabilidade, a valorização da nossa imensa diversidade cultural natural e a inclusão social. Dentro dessa visão, lançamos o Plano Brasis, o Plano Internacional de Marketing Turístico do Brasil, uma diretriz estratégica que busca descentralizar o fluxo de turistas internacionais por todas as regiões do país. Isso busca garantir que a riqueza gerada pelo estrangeiro não fique restrita apenas aos destinos tradicionais, mas alcance também o interior, os circuitos de agroturismo, o ecoturismo e os polos regionais de negócios, como Ribeirão Preto.

Tribuna Ribeirão – Qual a importância do turismo na cadeia produtiva nacional?

Gustavo Feliciano – O turismo é uma das indústrias mais transversais e integradoras, desempenhando um papel crucial na dinamização da economia nacional. A sua força reside justamente na capacidade de impactar mais de 50 diferentes atividades econômicas, o que faz do setor um dos motores mais eficientes para interiorizar o desenvolvimento e distribuir renda. Quando um turista desembarca em uma cidade e se hospeda em um hotel ou pousada, isso gera uma reação imediata em todo o comércio, incluindo gastronomia, transporte, atrações culturais e eventos.

Mais do que isso, o turismo ministro do timpulsiona a agricultura familiar e a agroindústria regional, que abastecem restaurantes, bares e o café da manhã dos meios de hospedagem. O turismo se destaca pela capacidade incomparável de transformar ativos naturais, históricos e culturais em riqueza compartilhada, gerando empregos diretos e indiretos de ponta a ponta, do trabalhador autônomo ao grande investidor.

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Tribuna Ribeirão – Que conselho o senhor daria para quem deseja investir no setor de turismo?

Gustavo Feliciano – O meu conselho para quem quer empreender, ou mesmo expandir o seu negócio na área, é claro: aposte com convicção. O Brasil possui uma vocação turística inigualável, e o nosso turismo atravessa um momento inédito, com sucessivos recordes, a atração massiva e sem precedentes de turistas internacionais e por um aquecimento vigoroso do mercado doméstico. Para se ter uma ideia, de janeiro a julho de 2026, o Brasil teve o maior movimento de passageiros domésticos da série histórica, iniciada em 2000: 59 milhões (número 4% superior ao do mesmo período de 2025).

E o horizonte próximo anda nos traz uma oportunidade gigantesca: o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina de Futebol da FIFA em 2027. Esse grande evento global colocará o país sob os holofotes do planeta, atraindo um fluxo maciço de visitantes, gerando demanda para a hotelaria, a gastronomia e serviços e abrindo um leque extraordinário de novas oportunidades de negócios. Quem decidir investir no setor com profissionalismo e visão de futuro encontrará um mercado com um extraordinário potencial de retorno. E o Governo Federal, que abraçou o turismo como vetor estratégico de desenvolvimento econômico e inclusão social, está de portas abertas para caminhar lado a lado com quem produz, gera empregos e transforma a realidade das cidades brasileiras.

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