Tribuna Ribeirão
Justiça

Moraes mantém 386 vândalos na prisão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribu­nal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira, 19 de ja­neiro, manter a prisão pre­ventiva de 386 acusados de participarem dos atos anti­democráticos de 8 de janeiro. O ministro também decidiu colocar 115 investigados em liberdade, mediante a adoção de medidas cautelares.

Até o momento, foi analisa­da a situação de 1.075 presos. Desses, 740 tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva, por tempo inde­terminado, e 335 foram soltos. No total, 1,4 mil pessoas foram presas em Brasília após os atos. Os investigados que serão sol­tos deverão colocar tornozelei­ra eletrônica, estão proibidos de sair de suas cidades e de usar redes sociais.

Além disso, eles terão os passaportes cancelados e os documentos de posse de arma suspensos. Após as prisões realizadas em 8 de janeiro, Alexandre de Mora­es delegou as audiências de custódia para juízes federais e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Moraes considerou que os acusados tentaram im­pedir o funcionamento dos poderes constitucionais por meio de violência e grave ameaça. As informações so­bre os presos são centraliza­das no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e depois remetidas ao ministro, a quem cabe decidir sobre a manutenção das prisões.

A lista da Secretaria de Es­tado de Administração Peni­tenciária do Distrito Federal (Seape-DF) não foi mais atu­alizada desde a noite de terça­-feira (17). Segundo os dados disponíveis nesta quinta-feira (19), 1.382 pessoas continu­avam presas nos Centros de Detenção Provisória da Papu­da (894 homens) e da Colmeia (488 mulheres).

A advogada Nara Faustino de Menezes, de 43 anos, de Ribeirão Preto, já havia sido transferida para uma cela es­pecial no 19º Batalhão de Polí­cia Militar do Distrito Federal. Outras quatro pessoas da re­gião também estavam na lista de anteontem.

Entre os nomes estão os da médica veterinária e social media de Guariba, Ana Caro­lina Isique Guardiéri Brendo­lan, de 30 anos, e do suplente de vereador em Nuporanga, Henrique Fernandes de Oli­veira, o Sargento Fernandes (MDB), de 51 anos, um dos 35 políticos presos por atos golpistas e invasão às sedes dos Três Poderes.

A lista traz ainda Marcos Joel Augusto, o Marcão Bola de Fogo, de 52 anos, morador de Pitangueiras, que em 2020 concorreu ao cargo de verea­dor pelo Cidadania e não foi eleito. Ele está no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda. Além deles, o advoga­do ribeirão-pretano Barquet Miguel Junior (filho do ex-ve­reador Barquet Miguel, que cumpriu sete mandatos), de 52 anos, está no mesmo local.

Disse em depoimento que foi a Brasília em viagem de turismo. Quinze crimes são investigados. O juiz fe­deral Francisco Alexandre Ribeiro decidiu aceitar o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e bloqueou bens de 52 pessoas físicas e sete jurídicas, num total de R$ 6.539.100.

A decisão saiu na noite do dia 12. O publicitário Genival José da Silva, de 69 anos, e a desempregada Márcia Regi­na Rodrigues, de 48 anos, também moradora da cida­de, estão na lista. Ele não foi notificado. Garante não ter financiado nenhuma viagem de bolsonaristas a Brasília.

A defesa de Márcia Regina Rodrigues não foi localizada. A família diz que atualmente ela está fora do mercado de traba­lho. Segundo a AGU, os 52 alvos são responsáveis por pagar o fretamento de ônibus para le­var pessoas aos atos ocorridos em Brasília no domingo.

O órgão informou se tra­tar de um valor inicial, base­ado na estimativa preliminar de prejuízos materiais cal­culados somente pelo Sena­do (R$ 3,5 milhões) e pela Câmara dos Deputados (R$ 3,03 milhões). Restam ainda a contabilização dos danos causados ao Palácio do Pla­nalto e à sede do Supremo Tribunal Federal. Entre os bens na mira do pedido da AGU estão imóveis, veículos e valores em contas correntes.

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