Tribuna Ribeirão
DestaquePolítica

MPE quer extinguir 528 cargos da prefeitura e 140 da Câmara

PREFEITURA DE RIBEIRÃO PRETO: segundo o promotor Sebastião Sérgio da Silveira (detalhe), administração tem 528 casos que ferem a Constituição Federal

O promotor de Defesa da Cidadania, Sebastião Sérgio da Silveira, disse ao Tribuna nes­ta quarta-feira, 18 de abril, que duas ações civis tramitam atu­almente no Fórum Estadual de Justiça de Ribeirão Preto. O re­presentante do Ministério Públi­co Estadual (MPE) pede a extin­ção de 668 cargos em comissão da Câmara e da prefeitura em respeito à Constituição Federal.

Estão na mira os 135 asses­sores dos 27 vereadores e mais cinco comissionados da Casa de Leis, além de 528 funcionários da administração municipal. A ação civil pública que envol­ve o Legislativo está em fase de sentença de primeira instân­cia. O inquérito foi instaurado por Silveira em 2012 e requer a declaração de ilegalidade (que equivale à extinção) da grande maioria dos cargos em comissão da Câmara de Ribeirão Preto.

Impetrada há seis anos, caso tenha sentença favorável, vai extinguir a quase totalidade dos cargos comissionados do Legislativo – incluindo todos os 135 assessores parlamenta­res dos 27 gabinetes. Em entre­vista nesta quarta-feira (18), o promotor destaca que a ação pede apenas que o Legislativo cumpra a Constituição. Se­gundo ele, Carta Magna prevê a existência de cargos em co­missão única e exclusivamente para direção e assessoramento.

Ou seja, não há impedi­mento para que vereadores possuam em seus gabinetes servidores comissionados em cargos de assessoramento téc­nico – como um advogado na assessoria jurídica ou um enge­nheiro para cuidar de assuntos como o Plano Diretor. Desde, é claro, que essas atribuições es­tejam claramente estabelecidas na lei que criou a função.

Também é necessário que o candidato ao cargo possua a ca­pacitação técnica corresponden­te às atribuições – atualmente, vereadores têm como comissio­nados assessores sem formação específica (com escolaridade do ensino fundamental). Isso não poderá mais existir, caso a ação seja vitoriosa.

Quando o promotor ingres­sou com a ação, em 2012, exis­tiam 232 cargos em comissão na Câmara (hoje são cerca de 140). Naquele mesmo ano e nos se­guintes (2013 e 2016), o Legisla­tivo promoveu concursos públi­cos e efetivou dezenas de antigos comissionados, já sob pressão da Justiça. Essas nomeações e os controversos processos seletivos que as antecederam são alvo de outra ação, movida pelo profes­sor Sandro Cunha dos Santos e pela advogada Tais Roxo da Fonseca, do PSOL.

O Tribuna apurou que a Justiça analisa no momento se as adequações feitas pela Câma­ra após o ingresso da ação, em 2012, são suficientes ou não para garantir o emprego dos assesso­res. Para o promotor, as adequa­ções já feitas não são suficientes.

“O assessoramento técnico precisa estar estabelecido em lei, não pode ser algo genéri­co. Assessor jurídico é um ad­vogado, tudo bem. E assessor direto é exatamente o quê?”, pergunta o representante do MPE, numa referência a um dos cinco cargos em comissão existentes em cada gabinete.

Prefeitura – O promotor Sebastião Sergio da Silveira in­gressou com ação civil pública semelhante, desta vez contra a prefeitura de Ribeirão Preto, no último mês de fevereiro, após contato infrutífero com a equi­pe do prefeito Duarte Noguei­ra Júnior (PSDB). “Entrei em contato avisando da irregulari­dade, pedindo a elaboração de uma nova lei. Como não de­ram resposta positiva, ingres­sei com a ação”, explica.

A ação cita a existência de 528 cargos em comissão na ad­ministração municipal e pede a extinção da grande maioria deles – à exceção, como na ação da Câmara, daqueles cargos de direção e assessoramento cujas atribuições estão claramente estabelecidas em lei. “E as leis precisam definir atribuições compatíveis com a Constituição Federal”, resume Sebastião Sér­gio da Silveira.

Sertãozinho – Ação seme­lhante, movida em 2016 pelo Ministério Público, obrigou a prefeitura de Sertãozinho a exonerar, na semana passada, 190 ocupantes de cargos em comissão cujas atribuições não estavam de acordo com a Constituição Federal. A admi­nistração Zezinho Gimenez (PSDB) tenta aprovar na Câ­mara projeto de lei definindo uma nova estrutura organiza­cional para que possa recon­tratar os servidores exonerados.

Câmara diz que fez adequação
A prefeitura de Ribeirão Preto não foi notificada porque a ação foi impetrada neste ano, e ainda não há previsão de sentença. Já a Coor­denadoria Jurídica da Câmara enca­minhou ao Tribuna a seguinte nota, em que sustenta que as adequa­ções solicitadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) já foram efetuadas. A íntegra do comu­nicado é:“Tramita, desde 2012, perante a 2ª Vara da Fazenda, ação civil pública para que a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Ribeirão Preto se abstenha de nomear ou contratar servidores para ocuparem cargos em co­missão que não sejam de direção, chefia ou assessoramento”.

E prossegue: “Contudo, como a ação foi distribuída em 2012, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto, desde então, adequou os cargos de provimento em comissão que eventualmen­te não estivessem dentro dos parâmetros entendidos como os exigidos, até que, no final do exercício de 2016, reduziu e reestruturou os referidos cargos de provimento em comissão, de modo a assegurar que estes atendam as características de di­reção, chefia e assessoramento, conforme já informado nos autos da ação civil pública em questão, razão pela qual se espera que a ação seja julgada improcedente, devido a adequação voluntária dos cargos às exigências legais”.

VEJA TAMBÉM

Corinthians encara Vitória no Barradão

Redação

Queda de aeronave termina com vítima fatal em área rural

Eduardo Ferrari

Seleção feminina duela com Canadá pela Fifa Series

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com