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Nove de Julho tem ato contra blindagem e anistia

Avenida ficou lotada de manifestantes contra a decisão da Câmara para por em pauta anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e principalmente a PEC da Blindagem

Artistas, políticos e movimentos sociais de esquerda protestaram em mais de 30 cidades brasileiras, incluindo as capitais e Ribeirão Preto, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e a anistia a condenados pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Os maiores atos ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em Ribeirão Preto, a manifestação organizada pela sociedade civil, partidos de esquerda, centrais sindicais e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocorreu na avenida Nove de Julho, na tarde de domingo, 21 de setembro. A concentração ocorreu no cruzamento da avenida Independência.

De lá, os manifestantes seguiram até o festival Pé na Rua, entre as ruas Álvares Cabral e Barão do Amazonas Segundo o diretório do PT, cerca de três mil pessoas participaram. Levaram cartazes contra a PEC da Blindagem, a anistia aos envolvidos na ação penal da trama golpista contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na capital paulista, manifestantes levaram uma grande bandeira do Brasil, em um contraponto à dos Estados Unidos, que foi exibida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante ato a favor da anistia, no dia Sete de Setembro. Segundo o Monitor do Debate Público da Universidade de São Paulo (USP), 42,4 mil pessoas compareceram à avenida Paulista.

No Rio de Janeiro, de acordo com o mesmo instituto, foram 41,8 mil. Os atos em todo o país foram marcados por críticas ao Congresso, após a aprovação do requerimento de urgência do projeto que anistia os condenados pelos ataques do Oito de Janeiro, e surpreenderam aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os manifestantes também pediram que Bolsonaro cumpra a pena de 27 anos imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os protestos foram promovidos por artistas, movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos. Foram as maiores manifestações da esquerda em tempos recentes. A manifestação pró-anistia convocada pelo pastor Silas Malafaia, em Sete de Setembro, também reuniu 42,2 mil manifestantes na Paulista, segundo o Monitor do Debate Público da USP.

Antes, em junho, um ato de apoio ao ex-presidente, no mesmo local, teve comparecimento menor: 12,4 mil pessoas. “Não tem meio-termo, não tem anistia light, anistia raiz, nem anistia Nutella”, disse o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que participou do ato em São Paulo.

Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o ato contou com apresentações musicais de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Marina, Ivan Lins, Maria Gadú, Paulinho da Viola e Lenine. Ali, os manifestantes carregaram dois grandes bonecos infláveis: um de Bolsonaro, com camisa de presidiário, e outro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o chapéu do “Tio Sam”.

Cartazes com os dizeres “Congresso, vergonha nacional!” e “Os piores deputados da História”, além dos motes “Sem anistia” e “Não à PEC da Bandidagem” eram exibidos em vários locais. Já em Brasília a manifestação foi marcada por ataques a Bolsonaro, tido como um dos principais beneficiários do PL da Anistia.

Durante o ato, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) fez duras críticas ao Legislativo. “Temos que tomar consciência de que, para mudar este país, temos que mudar o Congresso”, disse o ex-ministro. O ato contou com as apresentações de Chico César e Djonga.

O texto da PEC da Blindagem diz que deputados e senadores só poderão ser presos em caso de flagrante por crime inafiançável e restringe processos criminais contra os parlamentares. Até presidentes de partidos são beneficiados com foro privilegiado. }

A proposta seguiu para aprovação do Senado. Já o projeto de anistia continua na Câmara. Na quarta-feira, dia 17, a Câmara aprovou urgência do tema. Na quinta, dia 18, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (Solidariedade-SP), como relator do projeto.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) foi um dos principais alvos dos manifestantes nos protestos de anteontem. Na Paulista, por exemplo, ele foi xingado, vaiado e chamado de “traidor” e “inimigo do povo”. Até mesmo em João Pessoa (PB), reduto eleitoral do presidente da Câmara, os manifestantes carregaram cartazes com os dizeres “Paraíba, não reeleja Hugo Motta”.

Após os atos, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-RS), afirmou que postou mensagem nas redes sociais dizendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) acompanhado do povo brasileiro. “O Brasil não vai voltar atrás na punição aos que atacaram a democracia”, escreveu ela.

Depois das manifestações contra a PEC da Blindagem e o projeto da anistia, o governo Lula está agora nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Diante da fragorosa derrota na Câmara, após a aprovação da urgência para acelerar o perdão aos condenados do Oito de Janeiro, o Palácio do Planalto articulou um movimento para pressionar o Congresso a recuar da intenção de beneficiar Bolsonaro e, de quebra, enterrar a manobra que salva deputados e senadores encrencados com a Justiça.

A estratégia foi combinada com o próprio Alcolumbre para ajudá-lo a convencer seus pares de que, diante da resistência da sociedade – como mostraram os protestos de antreontem no país, com a participação de artistas, políticos e movimentos sociais –, é impossível dar sinal verde à PEC

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