Mário Palumbo
Professor e padre casado
“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” – Martin Luther King Jr.
O país pode ser comparado a um condomínio, onde todos são proprietários. Para gerenciar delegamos a alguém que nos represente e defenda nossos direitos. A participação no condomínio é necessária. Muitas vezes acontece que os condôminos não se interessam pela administração, e isso pode dar lugar à corrupção, pois o administrador, vendo que não é fiscalizado, torna-se dono absoluto do condomínio. Impõe taxas a seu bel prazer.
É o que acontece nas políticas dos nossos países, pela ausência dos “bons”, que se omitem em participar dizendo que a política é suja, e assim dão pleno poder aos aproveitadores.
Se a fiscalização no condomínio é relativamente fácil para examinar documentos e fiscalizar trabalhos, fiscalizar toda a política do país, torna-se um trabalho quase inviável, mesmo assim, se impõe a necessidade de o cidadão intervir, pois da política depende toda a sua vida, do ar que se respira à água, do alimento, se saudável ou contaminado, depende a educação da juventude se for libertadora ou se colocada a serviço das ideologias. Da política, depende a nossa liberdade sobre os bens que o nosso país oferece ou se quisermos deixá-los para a ganância de outros países. Da política depende a nossa paz, ou sermos dominados por outros países tanto nas esferas política, econômica ou mesmo militar. Da política depende o uso de nossos recursos naturais em nosso benefício ou em favor do lucro ganancioso de poucos. Da política depende se o seu salário acompanha a inflação ou não. Da política depende também todos os serviços e infraestrutura da cidade que usamos todos os dias.
Frente a essa complexa situação, muitos cidadãos preferem se omitir e deixam espaço para outrem assumirem as decisões necessárias para o bem comum.
Por isso querido leitor, sejamos conscientes do poder do nosso voto, do qual depende o futuro nosso e da nação.
Em outubro somos chamados a escolher entre nosso silêncio passivo ou a nossa contribuição consciente para o bem do nosso país. Que os “bons” determinem o futuro do nosso país, que seja livre e próspero.
O sonho de todos os bons é que haja paz e bem-estar para todos, mas esse sonho só pode ser realizado se os bons acordarem. A paz e o progresso humano são possíveis. Dante Alighieri, cansado das lutas entre cidades e cidades queria estabelecer a paz unindo todo mundo sob a autoridade do Papa. Após a segunda guerra mundial fundou-se a União Europeia, assim acabaram-se com as guerras entre as nações europeias e foi também criado a ONU para alcançar a paz. Precisamos sonhar com uma paz duradoura, que todas as nações possam progredir sem armas, que haja um só exército comandado pela ONU. Todas as nações devem ter sua independência e soberania respeitadas e crescer na própria cultura. É utopia? Sim, mas sem utopia não se progride.
Em outubro teremos a ocasião de fortalecer a paz ou avançar no turbilhão da violência baseada na ideologia da dominação que leva à destruição da humanidade. Temos essa terrível possibilidade, criar a paz ou avançar na violência. Frente a tudo isso, o que nos preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.

