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Polícia alerta para golpe da “ligação religiosa”

Em suas redes sociais, a Polícia Civil adverte para ligações telefônicas que queiram captar diálogos com palavras-chave usadas com IA em golpes

Polícia Civil adverte para risco de ligações telefônicas onde palavras podem ser capturadas e usadas para golpes com auxílio de IA (Foto: Reprodução Polícia Civil)

| Por: Adalberto Luque |

A Polícia Civil de São Paulo está utilizando suas redes sociais para alertar a população sobre um novo golpe que combina engenharia social e inteligência artificial para tentar aplicar fraudes financeiras. A modalidade, chamada de “falsa ligação religiosa”, utiliza a fé das vítimas para induzi-las a pronunciar palavras específicas, que depois podem ser empregadas por criminosos em tentativas de burlar sistemas de biometria vocal.

Segundo o material divulgado pela Instituição, os golpistas entram em contato por telefone identificando-se como pastores, evangelistas ou representantes de alguma instituição religiosa. Durante a ligação, afirmam que gostariam de ler um trecho da Bíblia ou fazer uma oração pela vítima.

Enquanto mantêm a conversa, os criminosos fazem perguntas estrategicamente formuladas para que a pessoa responda utilizando palavras como “sim”, “aceito”, “autorizo” e “concordo”. Esses comandos de voz são gravados durante a ligação.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo é isolar essas palavras para utilizá-las posteriormente em fraudes com o auxílio de inteligência artificial. A tecnologia permite reproduzir a voz da vítima e montar áudios que podem ser empregados em tentativas de validação de operações financeiras.

O alerta informa que, com as gravações da voz, os criminosos podem tentar validar contratações de empréstimos, abrir contas falsas ou realizar transferências via Pix, burlando sistemas de biometria vocal adotados por instituições financeiras.

Diante desse tipo de fraude, a Polícia Civil orienta que a população redobre a atenção ao receber chamadas de pessoas desconhecidas, principalmente quando utilizam argumentos religiosos para prolongar a conversa ou obter respostas específicas.

Entre as recomendações está evitar responder imediatamente “sim” ao atender uma ligação. A orientação é preferir expressões como “alô” ou “quem fala?”. A Instituição também aconselha desconfiar de chamadas incomuns e interromper a conversa caso o interlocutor insista em obter confirmações verbais ou faça perguntas direcionadas para extrair determinadas palavras.

Outro cuidado destacado é nunca fornecer dados pessoais durante esse tipo de contato telefônico. Informações como número de documentos, CPF e códigos enviados por SMS não devem ser confirmadas nem compartilhadas durante ligações recebidas de pessoas desconhecidas.

Caso a pessoa perceba movimentações bancárias suspeitas ou identifique indícios de que foi vítima do golpe, a orientação é comunicar imediatamente a instituição financeira para adoção das medidas de segurança.

A Polícia Civil também recomenda registrar boletim de ocorrência no distrito policial mais próximo ou por meio da Delegacia Eletrônica, permitindo o início das investigações.

Ao divulgar o alerta, a Instituição reforça que o compartilhamento das orientações pode ajudar a evitar novas vítimas. Segundo a Polícia Civil, a combinação de manipulação psicológica com recursos de inteligência artificial torna esse tipo de golpe mais sofisticado, exigindo atenção dos usuários ao receber ligações inesperadas, especialmente quando envolvem pedidos de confirmação verbal durante conversas aparentemente inofensivas.

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