Tribuna Ribeirão
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Porque sou a favor da democracia?

Mário Palumbo *
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Na minha infância vivi na ditadura nazi-fascista, vi bomba caindo do céu e atingindo o quarteirão onde vivia. A guerra de 39 a 45 foi fruto de ambição expansionista, de eventos ditatoriais surgidos pela fraqueza democrática.

Havia graves problemas econômicos que atingiam a população, por isso apareceram “salvadores” da pátria prometendo bem-estar e saúde pública. O povo, iludido por essas promessas, agarrou-se a estas esperanças. Surgiu assim o nazi-fascismo, que mergulhou o mundo em uma luta fratricida que nada resolveu, aliás, empobreceu a humanidade.

Vi soldados da SS pegando homens para levá-los contra a sua vontade aos trabalhos forçados. As poucas aulas que recebi na escola primária iniciavam-se com as saudações fascistas e o canto do hino nacional, para impor um falso amor à pátria. À noite precisava apagar as luzes enquanto ouvia-se o murmúrio do canto “E viva il Duce: senza pane e senza luce!”. A intervenção americana, juntamente com a bomba de Hiroshima colocaram fim na guerra e os vencedores dividiram entre si o mundo que até agora dominam, sem que a maior parte das nações possa opinar e decidir.

As livres eleições na Itália reconstituíram a democracia sempre ameaçada pela ilusão das ditaduras. Em 64 cheguei no Brasil com entusiasmo de uma nova era democrática, mas qual foi a decepção ao cair em uma nova ditadura que durou 21 anos, onde havia o pensamento único sem possibilidade de opinar. Quase toda a América Latina foi oprimida por este avassalador “incêndio”. Muitas mães ainda hoje choram filhos torturados e jogados ao mar. A propaganda era de acabar com a corrupção que, na prática sustentava essa mesma ditadura.

Ainda hoje há saudosistas da ditadura anunciando tortura e elogiando a necessidade de ter “30 mil mortes”.

A democracia tem suas falhas, e graves, mas é o único caminho para o progresso humano. Exige diálogo, educação para que possamos pensar e agir livremente, é um trabalho longo e paciente para o progresso humano. Mas um agir e pensar livres dentro da ideia que propõe ordem e legislação para todos.

Na democracia os crimes são julgados dentro da jurisdição, na ditadura, os “criminosos” simplesmente são apagados da história. Fatos graves e evidentes como o 8 de janeiro precisaram de bem longos três anos para ser julgados. Quando as eleições favorecem um grupo, está tudo certo. Quando o resultado é contrário, então se assalta o Capitólio e as casas legislativas.

A diferença entre a ditadura e a democracia é que na primeira há imposição e na segunda há diálogo.

* Professor e padre casado

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