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Uma doença que se esvai com o voto

Feres Sabino *
feressabino.com.br

Essa quadra da vida política brasileira está nos revelando uma estranha espécie de doença, que ataca a capacidade crítica de tantos da cidadania, afeta o conjunto ético e nos arrasta para um estágio de espírito no qual se perde a capacidade de indignação. E a tendência nesse diapasão é trazer tudo para o nível da normalidade.

Senadores e deputados cometem atos claros de corrupção e os confrades e as tais comissões de éticas ficam indiferentes a verdadeiras barbaridades de condutas.

Há partido político que lança como seu candidato a Presidente da República um cidadão de conhecida e reprovável conduta, com atos e fatos comprovados que passam correndo pelos códigos de ética e invadem as regras do código penal, certos da impunidade.

Tivemos Presidente da República que claramente declarou que afastaria até Ministro se não conseguisse nomear delegado Geral da Polícia Federal, já que seus filhos e seus amigos jamais ficariam sem proteção.

Até uma República do Paraná, uma ficção jurídica-política foi criada, para combater a corrupção, atrativo de toda cidadania decente, quando se descobre que tal grupo de togados foram formados, com orientação estrangeira, para destroçar empresas nacionais que concorriam no exterior com as estrangeiras, e não se podia aceitar tal ousadia. Essa mentalidade está clarificada com o incomodo criado pelo PIX brasileiro, ameaçado claramente pelo governo colonialista e imperialista da área latino-americana.

Nesse momento de ousada pressão estrangeira, especialmente pelas terras raras, de sanções, taxações, discretas e possíveis invasão de nosso território para combater os terroristas, o espírito vira-lata faz um candidato a Presidente ir mais aos Estados Unidos do que a qualquer rincão nacional, em campanha eleitoral, para tentar adiar canalhamente a taxação dos produtos nacionais, para depois das eleições, porque esse anúncio teria abalado sua campanha eleitoral. Assim, para ele, pode taxar, mas depois que meu interesse estiver definido.

O Presidente do Senado é o farol da perdição ética, contando em suas cercanias com o Eduardo Cunha, aquele que disparou o processo de impeachment da Dilma Rousseff, porque ela não aceitou protegê-lo na Comissão de Ética, depois ele respondeu por seus crimes, foi condenado, cumpriu pena, mas elegeu sua filha como deputada, agora fica rondando seu gabinete e assessorando os Presidentes, o do Senado e o da Câmara dos Deputados. Sua lição é simples, ou o Poder Executivo aceita ficar submisso ao interesse pessoal de ambos ou eles colocam em pauta os projetos-bombas, para criar problema para o Poder Executivo. Esse Alcolumbre repete Eduardo Cunha, votando e aprovando projetos que geram bilhões de gastos, para se vingar do governo.

O fato é que esse autêntico representante da escumalha, sinônimo de ralé, aqui política, expressão oca de brasilidade, não está nem aí com que representa de disfunção em qualquer planejamento que se pretenda do desenvolvimento nacional, esvaziado pelas emendas parlamentares, que legalizam o descompasso das políticas públicas, resultando no prejuízo real para o próprio povo brasileiro. São os vingadores do povo.

A ética não tem passagem pelos órgãos diretivos do Senado, já que o maior crime financeiro da história brasileira, revelado pelas investigações policiais do Banco Master, não instala a Comissão Parlamentar de Inquérito, porque ele, Alcolumbre, teme não só o que lá no Amapá seu apaniguado fez de transferência de volume de dinheiro da Entidade de aposentados, que preside por indicação do próprio Alcolumbre, para o fatídico Banco Master.

Esse espírito doentio de nada fazer de importante para as futuras gerações de brasileiros, não fiscaliza o senador que, sem pedir licença de suas funções, ainda viaja para ser comentarista dos jogos da seleção brasileira.

Na Câmara tem a liderança da direita surpreendida com a polícia federal descobrindo 470 mil reais, dentro do armário de apartamento, num caso de lixo, e ele declarando ter se esquecido de depositá-lo depois de vender um terreno, cuja compra e venda não teria ficado provado, para um comprador sem capacidade financeira para fazer tal negócio. Ele é tão verborrágico como o seu mentor e aliado, o agente político fantasiado de pastor, o tal do Malafaia.

O Brasil com tais corretores da dignidade nacional nada prometem, mas a esperança é o renascer de uma consciência organizada  e redentora, que reconstrua o sentimento de nação, para abastecer um Estado, com seu povo vinculado ao processo social de produção e do consumo e ao processo de criação.

* Procurador-geral do Estado no governo de André Franco Montoro e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras

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