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Prefeitura quer reajustar o IPTU

Já está em tramitação na Câ­mara de Vereadores o projeto de lei complementar, de autoria do Executivo, para revisão da Plan­ta Genérica de Valores (PGV) de Ribeirão Preto, que serve de base para cálculo do valor do Impos­to Predial Territorial Urbano (IPTU) de 2019. A proposta tem 70 páginas e foi protocolada na terça-feira, 20 de novembro. Durante dez dias ficará à dispo­sição dos 27 parlamentares para apresentação de emendas. Depois deste prazo, será analisada pela Comissão de Finanças, Orçamen­to, Fiscalização, Controle e Tribu­tária e pela Comissão de Consti­tuição, Justiça e Redação (CCJ).

Somente depois deste trâmi­te, caso receba parecer favorável, seguirá para votação em plená­rio. Para servir de base para o cálculo do IPTU de 2019 tem de ser aprovada antes do recesso legislativo, que começa em 20 de dezembro. Esta é a segunda vez que o governo Duarte Nogueira Júnior (PSDB) tenta aprovar a revisão da PGV. No ano passa­do, após muita polêmica, o Exe­cutivo desistiu da atualização e corrigiu o imposto em 1,83%, baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A proposta da Secretaria Municipal da Fazenda era em­placar reajuste de até 100% – 50% neste ano, mais 25% em 2019 e 25% em 2020. Vale lem­brar que a atualização da Planta Genérica de Valores foi licitada no segundo mandato da ex -prefeita Dárcy Vera (sem par­tido, 2013-2016) e finalizada na atual gestão tucana. Custou ao município R$ 11 milhões. No início deste ano foram emitidos 305 mil carnês de IPTU na cidade e a expectativa da prefeitura é arrecadar R$ 396 milhões no atual exercício.

Em resposta aos questiona­mentos feitos pelo Tribuna, a Se­cretaria Municipal da Fazenda informou que ainda não foram definidos os percentuais máximos ou mínimos de reajuste, pois “tan­to o governo quanto os vereadores estão tentando encontrar um per­centual que atenda às demandas da prefeitura, e que não compro­meta a capacidade contributiva do contribuinte”.

De acordo com a pasta, “con­siderando que a Planta Genérica de Valores encontra-se com uma defasagem de 16 anos, no tocante ao valor do metro quadrado da construção e seis anos em relação ao valor do m² do terreno, toda a cidade será atingida pela apli­cação da PGV, tanto para mais quanto para menos em relação ao ano de 2018”, diz o texto.

A administração municipal também não informou se a revi­são da PGV, caso seja aprovada na Câmara, será utilizada para o cálculo do IPTU de forma escalo­nada ou se a correção será de uma vez. Garantiu que esta informação depende da negociação que está sendo realizada entre o Executivo e o Legislativo. Para o próximo ano serão emitidos 307 mil car­nês, dos quais aproximadamen­te 250 mil são prediais

O vereador Alessandro Ma­raca (MDB) diz que vai analisar detalhadamente o projeto, tanto sob o aspecto jurídico, quanto em relação à chamada justiça tributária. “Vou analisar a pro­posta para evitar que regiões mais carentes da cidade paguem proporcionalmente mais IPTU do que regiões com maior va­lorização imobiliária”, afirma o parlamentar, para quem é preci­so criatividade do governo para aumentar a receita sem mais tributação. Ele argumenta que o Executivo deveria priorizar, por exemplo, as obras e investimen­tos no Aeroporto Estadual Dou­tor Leite Lopes, o que geraria au­mento de negócios e de receitas para o município.

O que diz o projeto de lei
A proposta que será analisa­da pelos vereadores informa que o projeto corrige distorções do valor venal dos imóveis, em fun­ção da dinâmica e heterogenei­dade do mercado imobiliário. Em um trecho das 70 páginas, argumenta que “os atuais valo­res venais dos imóveis prediais se encontram absolutamente defasados, sendo que a última edição da PGV data de dezem­bro de 2003, ocasionando, por conseqüência, injustiças no lan­çamento do IPTU em razão das evidentes alterações nas carac­terísticas físicas da cidade com notórias variações nos valores dos imóveis”. Portanto, segundo o projeto, a atualização da Planta Genérica de Valores represen­taria para a prefeitura a possi­bilidade de aperfeiçoamento da arrecadação de impostos.

Sobre o fato de a PGV poder ocasionar um elevado aumento imediato no imposto em 2019, a administração municipal garan­te que a atualização, utilizando como base os valores do mer­cado imobiliário, não represen­taria necessariamente elevação imediata da arrecadação. “A atualização da Planta Genérica de Valores não implica, por si só, lançamento ou aumento de im­posto, tampouco representa au­mento de alíquota. A atualização da PGV foi validada pela comis­são composta por representan­tes da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Pública, da Secretaria Municipal da Fa­zenda, do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Cre­ci) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

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