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Ribeirão Preto não segue em frente se a água ficar para trás

Valdir Avelino *
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A água talvez seja a infraestrutura pública que mais facilmente esquecemos, justamente porque esperamos encontrá-la todos os dias. Abrimos a torneira e ela precisa estar lá: para beber, preparar alimentos, tomar banho, enfim, água em casa não pode faltar.

Também não pode faltar água para atender hospitais, escolas, comércio e indústria. Uma cidade pode conviver durante algum tempo sem alguma benfeitoria; mas não consegue viver sem água. Por isso, segurança hídrica e abastecimento público precisam ser tratados como políticas estratégicas de saúde, desenvolvimento urbano e qualidade de vida.

Essa discussão assume dimensão especial no Brasil; país que concentra uma parcela expressiva da água doce existente no planeta e abriga reservas subterrâneas de enorme importância. A abundância, entretanto, não significa disponibilidade infinita. Água precisa ser preservada, captada de forma sustentável e distribuída com eficiência. Ribeirão Preto oferece um exemplo privilegiado dessa responsabilidade: todo o abastecimento da cidade provém do Aquífero Guarani. Cada residência, escola, unidade de saúde e atividade econômica dependem dessa reserva subterrânea. Defender o aquífero é proteger a fonte de onde vem a água consumida diariamente por centenas de milhares de pessoas.

É por reconhecer o caráter estratégico da água que a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a CTB, levou o tema para a 6ª Conferência Nacional das Cidades. Entre suas propostas defendidas pela nossa Central Sindical estão a defesa da água como bem indispensável à soberania nacional, a ampliação do financiamento público para o setor e a garantia de acesso também para às populações mais vulneráveis. A essência dessa posição é simples: água não pode ser tratada como uma mercadoria qualquer, pois sua gestão precisa estar subordinada ao interesse coletivo.

Em Ribeirão Preto, o caminho dessa água ajuda a compreender o tamanho da responsabilidade que a atual administração deve ter em relação a Saerp. A nossa água é retirada do Aquífero Guarani e depois da captação é devidamente tratada para atender aos padrões sanitários. Uma parte segue diretamente para a rede; outra é conduzida aos reservatórios e depois distribuída. Ao longo desse percurso existem bombas, registros, adutoras, reservatórios, quilômetros de tubulações, hidrômetros e sistemas de controle.

E essa engrenagem exige manutenção permanente. Um cano rompido numa avenida não representa apenas água correndo pelo asfalto: significa recurso natural extraído, tratado e bombeado que não chegou ao consumidor. Uma bomba que precisa ser substituída pode comprometer temporariamente o abastecimento de diversos bairros.

Se quisermos uma cidade capaz de seguir realmente em frente, é fundamental fortalecer quem garante o abastecimento de água. Isso significa respeitar o concurso público, recompor os quadros da Saerp, valorizar seus servidores e assegurar que todas as equipes funcionem plenamente, com segurança e capacidade técnica. A precarização do trabalho e o enfraquecimento deliberado da estrutura própria não podem servir de caminho para justificar terceirizações de atividades essenciais. Em um setor estratégico como o fornecimento de água, perder conhecimento técnico, autonomia operacional e capacidade de resposta significa colocar em risco a eficiência do próprio serviço público.

É dessa perspectiva que a direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto coloca a valorização e o fortalecimento de todos os setores da Saerp dentro de uma luta muito maior. Defender a Saerp, sua capacidade técnica, a efetividade dos concursos públicos e os trabalhadores que mantêm essa estrutura funcionando é, acima de tudo, defender a água de Ribeirão Preto e a nossa população que depende dela todos os dias.

* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

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