Fernando Junqueira *
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A construção civil brasileira chegou a um ponto em que produzir mais com os mesmos recursos deixou de ser uma escolha: é uma necessidade. A queda da produtividade, somada à dificuldade de contratar e reter profissionais, mostra que o problema do setor não é apenas de quantidade de mão de obra, mas de como organizamos o trabalho.
Como engenheiro e empresário da construção, vejo que ainda temos muito espaço para avançar em planejamento, redução de retrabalho, industrialização, padronização e uso de tecnologias como o BIM. Mas tecnologia, sozinha, não resolve. Precisamos preparar as pessoas para uma nova forma de construir.
As Trilhas Profissionais da Construção, lançadas pelo SindusCon-SP em parceria com Fiesp, Senai-SP, Sintracon-SP e Feticom-SP, apontam nessa direção. Ao estabelecer sete linhas de atuação e sete níveis de evolução profissional, o programa cria referências para qualificação, experiência e certificação. É uma maneira de mostrar que a construção oferece carreira, e não apenas emprego.
Valorizar o trabalhador, oferecer formação e criar perspectivas de crescimento contribuem para reduzir a rotatividade e preservar conhecimento dentro dos canteiros. Ao mesmo tempo, profissionais mais preparados estarão aptos a acompanhar a mecanização, a industrialização e as novas tecnologias.
A produtividade da construção será resultado dessa combinação: pessoas qualificadas, processos melhores e tecnologia aplicada com planejamento. É assim que poderemos construir mais, com menos desperdício e maior eficiência.
* Presidente da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP)

