Tribuna Ribeirão
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Terra roxa, céu azul e coração quente

Taís Roxo Fonseca *
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Ribeirão Preto é uma cidade que quem chega aqui nunca mais vai embora.  Andei por aí perguntando para os nativos e forasteiros porque escolheram viver nessa cidadee   suas respostas sempre conectam com os mesmos termos, como a imensa luminosidade, a sua terra roxa, o poderoso sol e a pujança econômica.

Carlos Drummond de Andrade descreveu o Rio de Janeiro assim: “No mar já estava escrito uma Cidade.” Hoje parafraseando o poeta, eu diria que: No céu anil e na terra roxa lê-se Ribeirão Preto. Muitas vezes não percebemos como é importante para as nossas vidas, o abrir das cortinas do céu de Ribeirão Preto, com a mesma intensidade e em todas as estações do ano: outono, inverno, primavera e verão, sem falhar e em perene repetição, somo abraçados pelo azul celeste, azul violeta, à feição dos olhos da Beth Taylor, da cor de ametista, límpido e desanuviado, às vezes desenhado por um rápido risco fino de uma aeronave que passa rasgando a sua superfície e deixando o rastro branco na  imensidão azul.

O saudoso amigo Sócrates Brasileiro, um apaixonado por Ribeirão Preto, contava que quando foi jogar futebol na Associazione Calcio Fiorentina, o clube da cidade de Florença, também conhecido como “ La Viola” (A Violeta), começou a sentir um aperto em seu peito sem entender o motivo, até o dia que entrou em férias e veio visitar sua mãe, a Dona Guiomar,  e quando chegou em Ribeirão Preto, num piscar de olhos, a alegria inundara novamente sua alma.

O Sócrates nasceu em Belém do Pará e veio morar em Ribeirão Preto ainda em tenra idade em virtude do trabalho de seu pai, Sr. Raimundo e por aqui, o Sócrates elegeu sua cidade do coração. Outro filho de adoção de Ribeirão, Sérgio Roxo da Fonseca, Sul Fluminense, nascido em Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, onde o apito do trem ecoa até durante as madrugadas, despertando a eterna mansidão das águas  correntes do Rio Paraíba, diz ele para mim que já conheceu quase o mundo inteiro e que somente ficou faltando o Japão, mas que de tudo que viu, Ribeirão Preto foi o lugar que mais o impressionou, pela imensurável beleza do colorido dos seus Ipês que parecem ter saltados das Nymphéas de Claude Monet direto para nossas ruas.

É uma cidade grande que ainda guarda a sua alma acolhedora. É a nossa Ribeirão da Cafeteria Única do amigo Peninha, do Miltinho violinista virtuose, dos almoços diários na pensão da Dona Neuza dentro da garangem da rua Florêncio de Abreu, da Padaria Nosso Pão, que há mais de 60 anos faz o pão mais crocante da cidade, do sanduíche carne e queijo do Boi Bom, da Praça 7 de Setembro que tem o coreto mais lindo de todos, do Lar Padre Euclides do Glaumir  Muraca, do nosso Jornal Tribuna Ribeirão. Ribeirão Preto das nossas vidas, que teus próximos 170 anos sejam tão luminosos quanto esse céu violeta que todos os dias vem nos dar alegrias.

* Advogada

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