André Luiz da Silva *
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Imagine mil crianças paralisadas por dia. Não é ficção: era essa a realidade na década de 1980, quando a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil ou pólio, somava mais de 350 mil casos por ano em mais de 125 países. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 10 e 20 milhões de sobreviventes da doença vivam no mundo, a grande maioria com algum grau de paralisia irreversível.
A pólio é uma doença infecciosa grave, transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por água e alimentos contaminados. O vírus pode atingir o sistema nervoso, causar paralisia e até levar à morte, especialmente em crianças menores de cinco anos.
Em 1988, o Rotary uniu-se à OMS e lançou a Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite. Desde então, rotarianos de todo o planeta mobilizam campanhas de arrecadação de fundos e de conscientização, além de garantir vacinas, insumos, logística e recursos financeiros aos países que mais precisam.
O resultado está à vista: hoje, os registros da doença se concentram no Afeganistão e no Paquistão.
Para as novas gerações, a pólio parece coisa do passado, porque poucos conheceram alguém marcado por ela. Isso só é possível porque a vacinação funcionou e protegeu milhões de crianças.
Eu conheci essas pessoas. Convivi com amigos, vizinhos e colegas de escola e de trabalho que carregaram a doença no corpo, e vi o peso que ela impõe às famílias, às vidas individuais e à economia dos países. Posso testemunhar: é uma dor que ninguém deveria viver de novo.
O Brasil tem um Plano Nacional de Imunização (PNI) que é referência mundial. E a estratégia mudou: se antes havia datas específicas, agora todo dia é dia de vacinar e prevenir.
A partir de 3 de agosto deste ano, o Calendário Nacional de Vacinação ganhou uma atualização importante: a segunda dose de reforço da vacina inativada poliomielite (VIP), para crianças de 4 anos. O esquema segue exclusivamente com a VIP, fortalecendo a proteção das crianças e ajudando o Brasil a continuar livre da circulação do poliovírus.O esquema de rotina agora é este:três doses da VIP, aos 2, 4 e 6 meses de idade;um primeiro reforço, aos 15 meses;um segundo reforço, aos 4 anos.
Crianças menores de cinco anos com esquema incompleto devem ter a situação avaliada e atualizada conforme os esquemas de resgate.
Neste ano, os rotarianos seguem inspirados pelo lema do presidente do Rotary International, OlahinkaBabalola: “Crie Impacto Duradouro”. E não existe impacto maior e mais duradouro do que garantir a proteção, a saúde e a segurança de uma criança.
Em todo o mundo, rotarianos caminham ao lado de profissionais de saúde e voluntários da sociedade civil na luta contra as doenças, o negacionismo e a desinformação. Porque, infelizmente, as notícias falsas também chegam à saúde e colocam vidas em risco.
Confira hoje a carteira de vacinação dos seus filhos, da sua família e a sua. Se faltar uma dose, procure uma unidade de saúde. Compartilhe informação confiável e ajude a calar a desinformação.
Durante todo o ano, e especialmente em outubro, vamos colocar nossos recursos em campo para atingir a audaciosa meta de erradicar a pólio do mundo. Junte-se a nós. Cada criança protegida é uma vitória de todos.
* Servidor municipal, advogado, escritor e radialista

