A Organização das Nações Unidas (ONU) espera que a economia dos Estados Unidos expanda 2% em 2026, desacelerando em relação aos 2,1% de 2025, segundo seu relatório semestral sobre perspectivas para economia global. Para 2027, a organização também prevê um crescimento de 2%, 0,2 ponto porcentual abaixo da análise anterior.
De acordo com as Nações Unidas, os rendimentos elevados dos títulos do governo de médio e longo prazo e os preços mais altos de energia devido ao conflito no Oriente Médio estão pesando sobre o crescimento americano.
O impacto inflacionário geral nos EUA do choque dos preços de energia atualmente deve ser menor do que o registrado em 2022, durante o início da guerra na Ucrânia, com aumentos modestos projetados nos preços do gás natural e da eletricidade, diz a ONU.
Para o Canadá, o crescimento do PIB é previsto em 1,5% em 2026, abaixo dos 1,7% de 2025. As exportações de energia devem aumentar, mas a revisão programada para este ano do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA) introduz uma incerteza significativa para as perspectivas de exportação canadense, alerta.
Já na China, o crescimento deve moderar de 5% em 2025 para 4,6% em 2026 e para 4,5% em 2027. A ONU não alterou as perspectivas para a economia chinesa em relação à análise anterior.
Comparada com seus pares regionais, a China está menos exposta imediatamente às interrupções de energia no Oriente Médio devido à sua matriz energética e reservas estratégicas, pontua o relatório, adicionando que o petróleo e os produtos petrolíferos representam menos de 20% do total de energia chinesa.
Segundo a ONU, o apoio político continuará a sustentar o consumo privado chinês e o investimento em manufatura e infraestrutura. No entanto, a fraqueza no setor imobiliário persiste e o crescimento das exportações pode desacelerar após os embarques antecipados antes do tarifaço dos EUA em 2025.
A ONU revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB da zona do euro em 2026, de 1,3% para 1,1%, e do Reino Unido, de 1,1% para 0,7%, diante das consequências econômicas decorrentes do conflito no Oriente Médio.
No relatório semestral Situação Econômica Mundial e Perspectivas, a ONU prevê uma desaceleração acentuada nas economias europeias após crescimentos de 1,5% e 1,4%, respectivamente, em 2025.
A ONU afirma que o conflito envolvendo os EUA e Israel contra o Irã provocou “um choque significativo” nos termos de troca da Europa, uma das principais importadoras líquidas de energia. Segundo o relatório, os preços mais altos da energia estão corroendo o poder de compra das famílias e elevando os custos de produção, afetando o consumo e o investimento empresarial.
Com a alta dos custos de energia, a ONU espera que as pressões inflacionárias se intensifiquem. Na União Europeia (UE), a inflação deve acelerar de 2,3% em 2025 para 2,7% em 2026. No Reino Unido, a projeção é de que permaneça elevada, em 3,2%. Como resultado, a política monetária tende a ser menos acomodatícia do que o previsto anteriormente, segundo a organização.

