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A Colômbia e sua Literatura (79): Cristian Valencia

Rosemary Conceição dos Santos*

 

De acordo com especialistas, Cristian Valencia é um escritor e cronista colombiano nascido em Santa Marta, Colômbia, em 1963. Conhecido por suas crônicas e romances que exploram diferentes regiões da Colômbia, Valencia dirige a Oficina de Crônicas de Bogotá e trabalha com rigor tanto ficção quanto não ficção. Dono de uma prosa direta e linguagem simples, construiu histórias, crônicas e narrativas de grande valor literário. Sua coluna de opinião no jornal El Tiempo lhe rendeu o Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar em 2016, na categoria opinião e análise. Este escritor de Santa Marta também foi reconhecido no Concurso de Contos do Instituto Distrital de Cultura e Turismo de Bogotá em 1992; recebeu a Bolsa de Romance do Ministério da Cultura em 1997; e uma menção honrosa no concurso Cronistas do Século XXI, organizado pela revista Gatopardo para a América Latina em 2000, entre outros prêmios.

Valencia já publicou seus trabalhos em revistas como Gatopardo, Soho, Cromos, Semana e Credencial. Atualmente, como colunista do jornal El Tiempo, oferece comentários rigorosos e criativos sobre os acontecimentos atuais do país. De sua autoria são os livros “Hay días en que amanezco muerto”, com o selo Random House-Mondadori (2007), e os romances “Bitácora del dragón” (Planeta, 2003) e “El rastro de Irene” (Planeta, 2001).

“Hay días en que amanezco muerto” é uma coletânea de crônicas jornalísticas que retrata personagens marginais e mundos absurdos da realidade colombiana. Em seu estilo e abordagem mistura humor distante com uma profunda simpatia humana. Revela histórias escondidas em vidas comuns ou anônimas. Mantém um compromisso ético com a verdade factual sem cair no exagero ou no espetáculo. Retratando a geografia humana, e os cantos mais distantes do cotidiano e da cultura da Colômbia, a obra apresenta um olhar cru e sensível sobre as dores e os absurdos possíveis da vida contemporânea.

“Bitácora del dragón” é um romance que apresenta uma jornada única e fragmentada através de atmosferas de desvio, personagens marginais e um tom próximo à crônica e ao realismo mágico urbano. Nele a história funciona como um registro ou diário de bordo de uma jornada, onde experiências, encontros fortuitos e reflexões que fogem à linearidade tradicional se misturam. Personagens excêntricos: Apresenta um grupo de figuras dementes, vozes populares, diálogos incomuns e a presença constante do estranho no cotidiano. Sob perspectiva jornalística, o estilo do autor aproveita sua habilidade como cronista para retratar paisagens humanas marcadas pela fuga, pelo ceticismo e pela oralidade pitoresca dos personagens.

“El rastro de Irene” traz uma trama de mistério, elementos fantásticos e reflexões urbanas ao narrar a chegada misteriosa de uma mulher com traços físicos muito parecidos aos da Virgem Maria à cidade de Bogotá. A história se desenvolve sob o formato de uma investigação de tom policial, mas em um cenário atípico onde os limites da realidade lógica parecem se dissolver (“policias sem ladrões”). O foco central gira em torno da aparição e do rastro deixado por essa enigmática mulher chamada Irene, cuja forte semelhança com a imagem da Virgem Maria causa comoção, estranhamento e altera a rotina da cidade. Abordagem surrealista, sua narrativa utiliza o evento incomum para explorar o comportamento humano, a fé, o delírio coletivo e a atmosfera peculiar das ruas bogotanas sob uma ótica fantástica.

Professora Universitária*

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