Tribuna Ribeirão
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A alienação produz a ignorância

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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Em ano eleitoral, as velhas raposas que dominam a política nacional há séculos vão buscar no fundo das gavetas as velhas promessas de eleições passadas, que não se concretizaram por motivos óbvios, dão uma repaginada e mostram como novidade, e por incrível que pareça ainda funcionam, e com isso conseguem ludibriar boa parte do povo brasileiro, que vive labutando diariamente para sobreviver, e ainda tem esperança e sonha com dias melhores.Porém, nos tempos atuais as redes sociais fizeram emergir das catacumbas figuras que usam o dom de iludir, e com facilidade se colocam em evidência. O povo que vive na luta diária para sobreviver acaba acreditando em um salvador da Pátria; e as redes sociais evidenciaram esta figura.

E neste diapasão surgem figuras que sabem usar de maneira ardilosa o dom de iludir, proliferando mentiras, se apresentando como alguém que é contra o sistema político vigente, que não tolera corrupção, que não é político, mas vai concorrer para salvar o País da esquerda e dos comunistas, se alvoram como cristãos, defensores da família e dos bons costumes, usam o slogan que adoram: “Deus Pátria e Família”, colocando o fundamentalismo religioso como o cerne da questão, combatendo o Estado laico, e pavimentando o caminho para a criação de um Estado teocrático, as atuações da bancada da “Bíblia” deixa claro essa intenção.

A Constituição de 1988, chamada de Constituição cidadã, que em parte se espelhou na Declaração Universal dos Direitos Humanos, vem sofrendo desde a sua Promulgação ataques para minimizar os efeitos dos direitos adquiridos pelo povo pobre, e estes ataques que eram feitos por parte da direita, se intensificaram com o afloramento da extrema direta, uma extrema direita que nutre um ódio mortal conta o povo pobre de maioria preta. O regime republicano-democrático não conseguiu em mais de um século se materializar, e entregar para o povo o sistema de governo definido na sua origem: “O poder tem que ser tratado como coisa pública, pois o poder emana do povo”, no entanto, este sistema não conseguiu transformar o Brasil em uma Nação prospera, em que seu povo tenha uma vida digna, e tenha orgulho de seu País.A repaginação das velhas políticas, capitaneada pelas velhas raposas encontrou nas redes sociais o modelo ideal para corromper o povo.

Toda a eleição acende uma esperança na população, em ver finalmente o País percorrer o caminho do desenvolvimento e da transformação, entretanto, as propostas da maioria dos candidatos presidenciais, principalmente os que se dizem não ser políticos é o desmonte da máquina pública. A desigualdade social, a segurança pública, educação e saúde estão sempre nas pautas, porém, com visões diferentes de como o povo deve ser tratado. O Estado mínimo é o sonho desta gente;mas mínimo para quem? Não existe nenhum país no mundo que tenha alcançado o desenvolvimento tecnológico e social, sem a participação majoritária do Estado, então por que se fala tanto em Estado mínimo? No Brasil, ser capacho do Império do norte é o sonho de consumo de parte da “elite” política-empresarial, que se regozijam cumprindo as ordens do Império.

As propostas dos candidatos ligados ao setor entreguista vão sempre na direção de manter o povo no cabresto. As propostas são sempre para menosprezar o povo pobre. Um candidato lembrou a Lei Aurea: “alforriar e libertar as comunidades das favelas e o povo baiano. Outro candidato disse que vai prender e matar quem roubar, e criar 500 mil vagas em presídios. Outro diz que vai vender todas as estatais, criando assim o Estado mínimo. O filho do “mito” superou todas as expectativas; disse que se ganhar a eleição vai fazer a transição de governo na Terra do Tio Sam, e assim transformar o Brasil oficialmente em colônia do império. E este tipo de gente se intitula “patriota”. “Que País é esse?”.

A alienação está contaminando os debates políticos, e com isso a ignorância passa a ser uma benção, e o saber uma tolice.

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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