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Produtividade travada: fator que explica o atraso do Brasil

Aguinaldo Rodrigues da Silva *

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e até mesmo à de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás de países latino-americanos que também enfrentam graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil aparece atrás de Uruguai, Chile, Argentina e Cuba, país que enfrenta há décadas um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora.

No contexto regional, o Uruguai lidera, com US$ 38 por hora trabalhada, seguido por Chile, com US$ 34,4; Argentina, com US$ 33,8; e Cuba, com US$ 22,6. O indicador é calculado pela OIT a partir da divisão do Produto Interno Bruto (PIB), em dólares, pelo total de horas trabalhadas pela população ativa.

Entre os líderes mundiais em produtividade estão Irlanda, com US$ 164,7 por hora; Luxemburgo, com US$ 159; Noruega, com US$ 125,6; e Cingapura, com US$ 100,4. Em relação aos Estados Unidos, onde cada trabalhador gera cerca de US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa aproximadamente 26% da riqueza produzida por um trabalhador norte-americano.

A pesquisa da OIT, com dados do primeiro trimestre de 2026, também aborda a jornada semanal de trabalho. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao registrado em 97 países, entre eles China, com 46,1 horas; Índia, com 45,7 horas; e México, com 42,2 horas.

A possível alteração da jornada 6×1, atualmente em discussão no Congresso Nacional, também levanta questionamentos sobre seus efeitos econômicos. Uma eventual redução da jornada poderá aumentar custos para empregadores e consumidores caso não seja acompanhada de ganhos de produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade brasileira? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas?

Um dos principais pontos de atenção está na educação e, especialmente, na qualificação profissional. Existem cursos de formação oferecidos por entidades empresariais, escolas e institutos técnicos, mas parte do problema tem origem na educação básica, que ainda apresenta deficiências e continua formando um contingente expressivo de pessoas com dificuldades de interpretação, compreensão e aplicação prática de conhecimentos.

Além da baixa qualificação de parte da força de trabalho, outro entrave está no ambiente institucional e econômico. Em muitos casos, o Estado protege interesses corporativos específicos em vez de estimular a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo, dificulta ganhos de eficiência e reduz os incentivos à inovação e ao aumento da produtividade.

As reformas estruturais voltadas à produtividade estão, há anos, no radar de economistas e especialistas. Torna-se cada vez mais urgente promover mudanças capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico mais competitivo e inclusivo.

Esse processo exige a revisão de privilégios corporativistas, a melhoria da qualidade da educação, o estímulo à qualificação profissional, a redução da burocracia e a criação de condições que permitam ao trabalhador e às empresas produzir mais e melhor.

A produtividade do trabalhador brasileiro segue praticamente estagnada há décadas.

Em 2025, o avanço foi de apenas 0,4%, com sinais de desaceleração ao longo de 2026. Esse cenário reflete o peso das limitações estruturais, da burocracia e da baixa eficiência do ambiente econômico, fatores que continuam distanciando o Brasil da média global de produtividade no trabalho.

* Presidente do Sindtur e do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região

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