Taís Roxo Fonseca *
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Não importa se o STF vai autorizar a investigação desse ou daquele ministro. Importa que a sociedade está sofrendo e não é de hoje. Há sofrimentos que não aparecem nas manchetes, porque moram discretamente nas ruas, na vida do trabalhador que não tem tempo para desfrutar sua própria família, que passa 16 horas trabalhando por dia, durante 6 dias por semana, incessantemente.
Mas hoje, vamos falar aqui de outro tipo de cansaço, aquele de quem vota, do eleitor brasileiro, que depois do voto, sente que sua voz vai ficando cada vez mais distante, quase perdida nos corredores do poder. A soberania popular, cláusula pétrea da chamuscada Constituição Cidadã, promulgada em outubro de 1988, parece que não está sendo respeitada como deveria aqui no Brasil.
E aqui não falo de esquerda ou direita, do partido A ou partido B. Falo do sentimento da maioria, falo em nome do povo brasileiro. Quando a política deixa de ouvir a rua, a rua começa a falar sozinha. Para Thomas Hobbes, os seres humanos precisam de um estado forte que garanta ao povo a sua sobrevivência.
A Constituição Brasileira , sem poesia, mas com uma frase de extraordinária beleza democrática, afirma que todo o poder emana do povo. È uma frase pequena para uma responsabilidade tão grande. Porque, se todo o poder emana do povo, para onde ele está indo depois que sai das urnas. Essa seria uma pergunta que deveríamos fazer com mais frequência.
O cidadão brasileiro que trabalha na escala 6 x 1, quer continuar pagando impostos enquanto assiste os caminhos percorridos pelas emendas pix.Esse mesmo cidadão quer assistir a um STF mergulhado em sucessivos escândalos de corrupção, quando na verdade deveria ser o guardião da nossa constituição. Democracia não se conserta destruindo suas instituições.
Conserta-se fazendo com que elas, as instituições públicas, voltem a cumprir suas finalidades. Há quem diga que deve fechar o STF e pronto, mas esse não é o caminho democrático, ao cidadão brasileiro portanto, cabe acreditar em suas instituições, não lhe cabe quebrar portas até porque as portas são suas.
Ao povo cabe exigir transparência, fiscalizar, questionar, organizar-se e cobrar as investigações, seja lá quem for o réu , que responda pelos crimes que cometeu. Estamos próximos ao pleito eleitoral de 2026, pelo qual elegeremos importantes quadros incluindo o de maior importância para o país, que é o de presidente da república do brasil.
Este pleito será um dos mais importantes da nossa história, porque está valendo a soberania do Brasil, que diz respeito a autonomia, a liberdade e a autodeterminação em nome da nação e de um povo.
* Advogada

