Tamanduá foi encaminhado pela Defesa Civil de Nova Europa ao Cetras Morro do São Bento após ser atropelado em rodovia
Nesta segunda-feira, 8 de junho, o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais (Cetras) Morro do São Bento, instalado no Bosque e Zoológico Doutor Fábio Barreto e vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Sustentabilidade de Ribeirão Preto, soltou uma tamanduá-bandeira na região do município de Nova Europa (SP), onde foi resgatado.
O animal ameaçado de extinção passou por rigoroso tratamento de recuperação e reabilitação por mais de dez dias. O tamanduá foi encaminhado pela Defesa Civil de Nova Europa ao Cetras Morro do São Bento no dia 29 de abril, após ser vítima de atropelamento em uma rodovia em Itápolis (SP).
Devido aos graves ferimentos, foi necessária uma intervenção intensiva e rigorosa para garantir a recuperação da saúde do animal, com uma combinação de cuidados médico-veterinários e nutricionais. “O estado nutricional crítico em que a fêmea se encontrava exigiu uma intervenção imediata e altamente especializada”, diz o zootecnista do Cetras, Alexandre Gouvea.
“Optamos pelo uso de uma dieta enteral na fase inicial, o que nos permitiu fornecer os nutrientes essenciais diretamente ao trato digestório, garantindo a absorção e a energia necessárias para que o organismo começasse a reagir. Foi um trabalho minucioso de balanceamento que garantiu a restauração completa da sua condição corporal”, explica o zootecnista.
No momento do atropelamento, em decorrência das condições do acidente, a tamanduá sofreu um aborto e o filhote veio a óbito. Com a saúde restabelecida, o animal está saudável e apto a retornar ao seu habitat, o que foi autorizado pelo Departamento de Fauna do Estado de São Paulo (Defau).
“A recuperação deste animal é uma vitória técnica expressiva. O tamanduá-bandeira é uma espécie ameaçada de extinção, e o sucesso no tratamento de um indivíduo com múltiplos traumas, incluindo a perda gestacional, reforça o papel estratégico dos Cetras na conservação da fauna silvestre”, ressalta o biólogo e responsável técnico pela unidade Morro do São Bento, Otávio Almeida.
A soltura deste animal reforça o compromisso do Cetras Morro do São Bento com a recuperação e a refaunação, processo de reintrodução de animais silvestres em seus habitats, promovendo a conservação do meio ambiente e das espécies.
O Cetras Morro do São Bento desempenha papel fundamental na preservação da biodiversidade regional, atuando na triagem, reabilitação e reintrodução de animais silvestres – muitos deles vítimas de maus-tratos ou do tráfico. Nos casos de espécies exóticas, o trabalho envolve a destinação segura e legalmente adequada.
O Cetras Morro do São Bento é uma referência regional e nacional e atende 61 municípios da região, destacando-se pela capacidade e qualidade técnica nos cuidados e na reabilitação de animais silvestres. Integra a rede de 28 Cetras do Estado de São Paulo.
É reconhecido como referência regional e nacional pela qualidade do atendimento e pelo rigor técnico. No primeiro trimestre deste ano, de janeiro a março, registrou a entrada de 660 animais silvestres para cuidados e reabilitação, cerca de sete por dia, aproximadamente um a cada três e meia.
Destes, cerca de 300 retornaram à natureza no processo de refaunação, taxa de reabilitação superior a 45%. Os animais chegam ao Cetras principalmente por meio da Polícia Militar Ambiental, que pode ser acionada em casos de denúncias de tráfico de animais, maus-tratos e vitimização, práticas criminosas sujeitas a multas e penalidades, pelo telefone (16) 3996-0450.

