Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

Consciência Negra – Negros são 64,2% dos desempregados no Brasil

Em Ribeirão Preto, por exemplo, há políticas de cotas nos concursos públicos, mas não se reflete nos cargos de mando e poder. Como podemos observar no primeiro escalão há só uma negra no governo.

No mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra, membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial faz uma análise do tema

Na última terça-feira, 20 de novembro, foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Em várias cidades brasileiras, entre elas a capital do estado, São Paulo, a data foi feriado municipal. Desde 2016, em Ribeirão Preto não é feriado, devido uma representação, em 2011, do Ciesp – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, no Ministério Público, que entrou com ação para derrubar a lei municipal que instituía o feriado. O STF, Supremo Tribunal Federal, em 2016, decidiu em favor do MPE. Independente de feriado ou não, pouco se viu, em termos de comemoração. Nas cidades em que houve o feriado, a população aproveitou para emendar as datas, desde o feriado da Proclamação da República, na quinta, dia 15.

No mês em que se comemora a Consciência Negra algumas questões cruciais devem ser apresentadas. Uma delas é o desemprego. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os negros são 64,2% dos desempregados no Brasil, embora representem 55,7% do total da população. A participação de pretos e pardos entre os desocupados cresce desde o início da série, iniciada em 2012.

Segundo a pedagoga, Silvia Seixas, integrante do COMDEPIR – Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, há tempos os índices dos órgãos oficiais de pesquisa apontam a diferença entre negros e brancos.

“Tanto o Ipea, como o IBGE inclusive, assumem que mesmo com a implantação pontual de políticas de ações afirmativas essa diferença não tem diminuído consideravelmente”. diz.

Para ela a questão do emprego não é diferente em Ribeirão Preto em relação aos demais centros. “Em Ribeirão Preto, respeitadas as proporções, os negros têm maior dificuldade na colocação e ou recolocação profissional. Importante ressaltar que quando incluímos jovens negros a questão torna-se mais grave ainda”, comenta.

Seixas aponta que políticas de promoção da igualdade podem “sensibilizar os processos de seleção, em todas as categorias”. “O olhar selecionador para o jovem negro ser somente de avaliação do conhecimento e habilidades e não um olhar preconceituoso que afasta a possibilidade da contratação. E óbvio que há um problema de desemprego geral no país, mas o recorte étnico-racial mostra que este problema se agrava para os jovens negros especificamente em razão do racismo institucional”, diz.

A ativista social comenta outro ponto polêmico, o de cotas. “Erroneamente o senso comum acredita que há uma política de cotas oficializada e não há. O que temos é o julgamento da constitucionalidade junto ao Supremo Tribunal e ações espalhadas pelo Brasil, em especial nas universidades, incluindo o sistema de acesso diferenciado. Em Ribeirão Preto, por exemplo, há políticas de cotas nos concursos públicos, mas não se reflete nos cargos de mando e poder. Como podemos observar no primeiro escalão há só uma negra no governo”, finaliza.

Foto Arquivo Pessoal

Legenda_ Sílvia Seixas:“Erroneamente o senso comum acredita que há uma política de cotas oficializada e não há”

 

Sílvia Seixas – Fotoo Arquivo Pessoal

 

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Polícia apreende cigarro eletrônico com maconha em Ribeirâo

Luque

CBF sorteia duelos das quartas de final da Copa do Brasil

Hugo Luque

EXCLUSIVO: Ribeirão registra 34,2% menos roubos e furtos de celulares

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade