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Custo Brasil e produtividade mantêm Brasil entre os menos competitivos do mundo

Aguinaldo Rodrigues da Silva *
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O País caiu sete posições no recém-publicado Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD/FDC. Despesas públicas elevadas, taxa de juros e desequilíbrio fiscal também estão entre os principais fatores para a queda no desempenho, segundo especialistas. O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, saindo da 58ª colocação, em 2025, para a 65ª posição entre os 70 países avaliados.

O resultado representa o pior desempenho do país nos últimos anos e o coloca entre os seis últimos do ranking, à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela, e atrás de países em desenvolvimento como Gana e Peru. O levantamento é realizado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).

O ranking é avaliado de acordo com a percepção de executivos em conjunto com dados estatísticos, e considera fatores como desempenho econômico, eficiência governamental e empresarial e infraestrutura.

Comparado com 2025, o país registrou piores resultados em desempenho econômico, passando da 30ª para a 36ª posição, e em eficiência empresarial, da 56ª para a 67ª colocação. A queda no desempenho econômico revela o baixo crescimento e dinamismo do país nos últimos anos, comparado com a economia mundial.

Desde 1980, o Brasil cresce anualmente 2,1%, contra 3,6% do mundo. Já entre 1950 e 1980, o país crescia acima da média mundial, sendo 7,3%, contra 4,5% da economia mundial, segundo AntonioLanzana, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) e da FECOMÉRCIO-SP. Ainda segundo o economista, a 69ª posição do Brasil em eficiência governamental evidencia a ineficácia do aumento do gasto público no Brasil. “Com o crescimento do Estado brasileiro, o gasto público passou de 25% do PIB nos anos setenta para mais de 40% e ocorreu de forma extremamente ineficiente; a reforma administrativa, que poderia aumentar a eficiência do gasto público, sequer chegou a ser apresentada”, diz.

O aumento das despesas públicas também influência a eficiência empresarial, isso porque a expansão desses gastos faz com que o Banco Central mantenha a taxa de juros elevada, inviabilizando negócios e desestimulando investimentos. “Basta observar que, nos últimos doze meses, 1,5 milhão de empresas pediram recuperação judicial e várias entraram em processo de recuperação extrajudicial”, diz Lanzana.

O Brasil aparece nas últimas posições em indicadores como custo de capital, educação básica, endividamento corporativo e produtividade da força de trabalho. Para Gabriel Ferraz, advogado e especialista em políticas públicas para melhorar o ambiente de negócios, o ranking destaca o desequilíbrio fiscal, a imprevisibilidade institucional, a baixa produtividade e um fornecimento de crédito com custos elevados.

Uma das principais queixas dos executivos entrevistados pelo ranking são as restrições a crédito e financiamentos, dificultando a confiança dos negócios – assim como a escassez de mão de obra e os custos crescentes do trabalho, que representam uma grande preocupação para o empresariado brasileiro.

Com essa posição, o Brasil acaba perdendo oportunidades de competitividade, uma vez que o investimento em produtividade e mão de obra qualificada é baixo, e o custo Brasil continua sendo muito elevado devido à alta carga tributária, dificultando sua competitividade em relação ao mercado global.

* Presidente do Sindtur e do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto

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