Os Estados Unidos cancelaram nesta segunda-feira, 28 de setembro, vistos de juízes, altos funcionários e empresários de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, acusando-os de corrupção, ligações com o narcotráfico ou conspiração contra seus respectivos governos.
Entre os sancionados estão juízes da Suprema Corte, altos funcionários da polícia, promotores e um empresário bolivianos; um empresário e uma senadora colombianos; dois equatorianos; e um magistrado do primeiro juizado constitucional de Lima, capital do Peru, segundo o comunicado do Departamento de Estado americano.
A revogação dos vistos desses altos funcionários e seus familiares faz parte dos compromissos assumidos no âmbito da aliança Escudo das Américas, criada por iniciativa do presidente Donald Trump em março deste ano, explicou o comunicado do Departamento de Estado.
“Sob a administração Trump, funcionários estrangeiros corruptos não podem mais entrar livremente nos Estados Unidos”, afirmou o comunicado. “Esta política restringe a emissão de vistos a estrangeiros – e seus familiares imediatos – que minam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, acrescentou.
“Minar um governo democraticamente eleito é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas, e não será tolerado”, alertou o comunicado. O governo conservador da Bolívia enfrentou semanas de protestos que paralisaram grande parte do país, até que o presidente declarou estado de emergência em 20 de junho, que permanece em vigor.
Esses quatro países fazem parte do Escudo das Américas, que reúne quinze países da região. Os líderes da aliança se reuniram na semana passada à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e reafirmaram sua disposição de tomar “ações coletivas”.
O Departamento de Estado tem negado permissão para viajar aos Estados Unidos como forma de reprimir a imigração ou como instrumento de pressão contra alguns governos, desde proibições de entrada para autoridades sul-africanas acusadas de discriminação contra pessoas brancas até a recusa de emissão de vistos para a delegação palestina que pretendia participar de uma reunião anual de líderes mundiais na ONU.

