Tribuna Ribeirão
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Primeiras igrejas do Brasil

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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No dia 26 de abril de 1500, quatro dias após a chegada da esquadra de Cabral à terra que posteriormente se chamaria Brasil, foi nela rezada a primeira missa, por Frei Henrique de Coimbra. Português e franciscano, coordenava as atividades religiosas da esquadra e destinava-se às Índias, para lá seguindo depois da parada na nova terra.

Ergueu-se um modesto altar, onde se desenvolveram os ritos  ao ar livre, observados pelos habitantes da terra, que acompanhavam com estranheza o que estava acontecendo.

No 1º. de maio que se seguiu , o mesmo frei realizou outra missa mais solene, a chamada Missa da Pascoela, ainda ao ar livre, quando se ergueu grande cruz de madeira, abençoando-se assim em definitivo a posse das novas terras aos portugueses.

O primeiro prédio destinado a abrigar uma igreja no país foi construído pelos frades franciscanos que aqui chegaram logo após o descobrimento e é a Igreja de São Francisco de Assis do Outeiro da Glória, erigida em 1503, em Porto Seguro. Era feito de taipa e madeira, foi destruído em 1505 e reconstruído em 1515, permanecendo  em atividade até 1730, quando começou a sua decadência. Hoje somente ruínas conservam a memória do primitivo templo.

No território do atual estado de São Paulo, o primeiro templo católico foi erigido em 1532, quando Martim Afonso de Souza fundou a vila de São Vicente e fazia parte de um conjunto igreja, câmara e pelourinho. Era dedicada a São Vicente Mártir e durou até  1542, quando foi destruído por um maremoto. Dele não restam ruínas.

Em 1535, fundou-se a primeira igreja da cidade que viria a ser  capital da colônia, Salvador, dedicada à Nossa Senhora da Graça. Era uma capela primitiva, de taipa e palha e para sua construção pesou muito a insistência de Catarina Paraguaçu, indígena convertida ao cristianismo. Passou por inúmeras reformas, até dar lugar ao imponente e atual Mosteiro da Graça, um dos mais expressivos monumentos religiosos da cidade.

Em 1565, quando Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, ergueu-se a Capela dedicada ao mesmo santo, na base do Morro Cara de Cão, hoje Urca. Foi o primeiro templo da incipiente vila. Dela também não existem vestígios atualmente.

Por que os portugueses, tão logo fundavam uma vila, erguiam uma igreja?

Camões, em sua magistral obra, nos diz que vai cantar “as memórias gloriosas daqueles reis que foram dilatando a Fé e o Império”, Interessante notar que ele coloca  a fé  antes do império, indicando-nos a decisão de, ao mesmo tempo que conquistar novas terras, era missão dos portugueses levar a verdade da religião aos povos encontrados.

Bem típico do final da Idade Média. A população europeia se desenvolveu em torno dos Evangelhos, regida pela poderosa Igreja. Qualquer dúvida que os povos tivessem, bastava consultar o padre, que daria a resposta contida no Novo Testamento.

A maioria era analfabeta e somente poucos religiosos sabiam ler e escrever.

Vivia-se sob a tutela da religião, embora começassem a surgir os albores do Iluminismo e do Renascimento, libertando o homem das crenças religiosas e preparando o terreno para seu crescimento científico.

As igrejas citadas são exemplos da postura dos colonizadores, sejam eles portugueses ou espanhóis, que além de nos integrarem ao mundo conhecido, dedicaram-se a “dilatar a Fé e o Império”, apesar das muitas atrocidades que infligiram aos povos originários, cujo reconhecimento como gente com alma demorou para acontecer.

* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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