A mobilidade urbana está conectada diretamente ao acesso à cidade, aos serviços públicos, ao meio ambiente, à saúde e a qualidade de vida da população. Para termos uma mobilidade urbana sustentável é imprescindível diversificar­mos os modais de locomoção, priorizar pedestres, ciclistas, transporte público, transporte de cargas e, por último, o transporte individual, afim de termos um equilíbrio ambiental, com modais menos poluentes e mais eficientes.

É imperioso repensarmos a mobilidade urbana em Ribeirão Preto em toda sua ‘simplicidade complexa’: mobilidade não é apenas trânsito e, sim, um conjun­to de modais acessíveis a todos. É simples porque cria condições que facilitam o andar a pé e é complexa porque movimenta temas importantes e interconectados em seus vários departamentos.

O investimento público em modais não motorizados é desafio dessa socie­dade que sonha ter uma cidade menos hostil ao pedestre e ao ciclista. Calçadas regulares, acessíveis e arborizadas e transporte público permanentemente aprimo­rado fazem parte desse elenco de providências. O que faria você pegar um ônibus diariamente em vez de usar um aplicativo de transporte privado individual? Como chegar a um equilíbrio financeiro com tarifas acessíveis e justas com o número de usuários de ônibus caindo? E a eficiência e qualidade desse transporte?

Um desafio que precisamos encarar é a gestão e o planejamento urbano pau­tados na mobilidade sustentável, como, por exemplo, bairros com diversidade de usos. Hoje se fala muito no conceito “Cidade de 15 minutos”, que ficou conheci­do por meio da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, onde, em apenas 15 minutos de bicicleta ou a pé, o cidadão chega na escola do filho, no trabalho, na moradia e nos equipamentos públicos.

Estamos em 2021 e, até hoje, não temos um departamento ou diretoria que cuide das questões de mobilidade na nossa cidade. Se não oferecermos outros modais de forma qualificada, o transporte individual continuará aumentando com o crescimento da cidade e com ele os indesejados engarrafamentos, aciden­tes e suas sequelas.

Precisamos qualificar o transporte público, implantar mobiliário urbano adequado, com pontos de ônibus com bancos, cobertura, iluminação e painel informativo, melhorar a logística e reduzir o tempo de espera, ônibus e terminais com mais conforto e segurança para o usuário, além de implantar corredores de ônibus para reduzir o tempo das viagens.

Também modernizar e eletrificar as frotas de ônibus, equipando-os com ar-condicionado. Criar interface entre os modais é justo e necessário. Por exemplo: você pode ir de bike até o terminal de ônibus, deixá-la com segurança em um bicicle­tário e depois pegar seu ônibus, quando a rota é longa. Várias cidades do Brasil e do mundo já realizaram esses avanços – em muitos casos com custos baixíssimos.

A conquista desses avanços depende hoje de uma intervenção da Pre­feitura no atual sistema de transporte público, através de um novo contrato, mais adequado e justo para seus usuários. A cidade toda sairá ganhando, promovendo uma economia sustentável, gerando empregos, experimentando novas soluções de desenho urbano e melhorando a qualidade do ar e, conse­quentemente, da saúde pública.

O Poder Executivo reapresentará o projeto de Lei que cria a Política Municipal de Mobilidade Urbana, que prioriza os modais não motorizados e o transporte público. A Lei criará o Conselho Municipal de Mobilidade Urbana, um importante espaço de discussões com oportunidade para a sociedade civil organizada trazer seu saber para o debate, com contribuições na construção de políticas públicas relacionadas ao tema.

Na minuta do projeto de Lei são apresentados anexos com mapas atualiza­dos, como o do sistema cicloviário. Um avanço necessário!

Com o objetivo de sensibilizar para as questões ligadas a mobilidade, dar visibilidade para as situações negligenciadas, disseminar informações e facilitar ações efetivas, criamos no calendário oficial de eventos de Ribeirão Preto a Sema­na da Mobilidade Urbana.

A população pode criar, promover ou até mesmo participar de atividades durante a Semana, que está em sua terceira edição. Um passo adiante e ali na frente a paisagem será outra!