Presidente da Câmara de Vereadores, Daniel Gobbi (PP) pediu ao prefeito Ricardo Silva (PSD) que retire a proposta da pauta do Legislativo
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O presidente da Câmara de Vereadores, Daniel Gobbi (PP), defende a retirada do projeto de lei complementar número 24/2026, que trata da permuta de imóveis entre a prefeitura de Ribeirão Preto e o Colégio Marista. Durante audiência pública, pediu ao prefeito Ricardo Silva (PSD) que retire a proposta da pauta do Legislativo.
A audiência foi realizada na noite de terça-feira, 16 de junho, na sede do Sindicato dos Comerciários de Ribeirão Preto, com a participação dos vereadores André Rodini (Novo), Danilo Scochi (MDB), Judeti Zilli (PT, Coletivo Popular) e Perla Müller (PT), presidente daComissão de Administração, Planejamento, Habitação, Obras e Serviços Públicos da Câmara, organizadora da reunião.
O vice-prefeito Alessandro Maraca (MDB) e diretores da Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação representaram o governo mnunicipal. A população também participou. Os representantes do Executivo não conseguiram responder aos questionamentos considerados fundamentais.
Entre eles, a existência de estudos técnicos que embasem a ocupação do imóvel do Colégio Marista como sede do novo centro administrativo da prefeitura de Ribeirão Preto. Segundo Daniel Gobbi, um servidor municipal defendeu a continuidade da negociação e afirmou que tais estudos seriam realizados apenas após a efetivação da permuta.
Essa postura causou estranheza. Segundo Gobbi, compromete a segurança do processo. “Como a prefeitura envia um projeto para a Câmara Municipal sem apresentar um estudo que demonstre quais secretarias ocuparão o prédio? Quantas pessoas serão alocadas?”, questiona.
“Quantas vagas de estacionamento serão necessárias? Qual será o impacto no trânsito daquela região? Como serão realizadas as reformas e adaptações, considerando que a capela existente no imóvel é tombada e que todos sabemos o quanto é morosa a aprovação de intervenções em bens tombados e em seu entorno?”, questionou o vereador.
De acordo com o parlamentar, como o encontro deixou mais dúvidas do que respostas, ele defende a retirada temporária do projeto para que a prefeitura de Ribeirão Preto possa reestruturar a proposta e apresentar informações técnicas capazes de subsidiar uma análise transparente por parte do Legislativo.
Gobbi defendeu ainda que a requalificação do Centro de Ribeirão Preto deve ser tratada como um “projeto de cidade” e não como uma medida isolada de gestão. “Precisamos de um organismo que auxilie no planejamento de longo prazo, capaz de superar trocas de governo e garantir o desenvolvimento sustentável do município”, pontuou.
A proposta do governo municipal foi enviada para a Câmara no dia 1º de junho. A Comissão de Obras é presidida pela vereadora Perla Müller (PT) e tem Brando Veiga (Republicanos) como vice-presidente e participação de Rangel Scandiuzzi (PSD).
No novo projeto, a área da prefeitura na região da avenida Braz Olaia Acosta, Zona Sul da cidade, com 40.928,38 metros quadrados, está avaliada em R$ 86.684.000, contra os R$ 57.214.519,39 do imóvel do Colégio Marista, com área de 21.929,25 m² na rua Bernardino de Campos nº 550, no Centro da cidade, uma diferença de R$ 29.469.480,61, conforme o Tribuna havia apurado. Agora, o terreno público vale 51,51% a mais
Já na avaliação elaborada no ano passado pela Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis (Cati), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, e que constava do primeiro projeto enviado à Câmara, a área da prefeitura fora avaliada em R$ 39.617.035, valor menor do que o do imóvel Colégio Marista.
Naquela avaliação o prédio teve seu valor fixado em R$ 57.214.519,39. O valor da área da prefeitura agora é R$ 47.066.965 superior, alta de 118,80%. Antes, era R$ 17.597.484,39 inferior a do Marista, 30,76% abaixo.
A prefeitura solicitou ajuda ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo para uma segunda cotação – a nova avaliação também é assinada pela Cati e contou com assessoria do Creci. No novo projeto a prefeitura justifica que, por sugestão de vereadores, o “município valeu-se de relevante assessoria do CreciSP “.
Segundo o projeto, o Colégio Marista teria aceitado pagar a diferença de R$ 29.469.480,61 entre as duas áreas, para o município, caso a proposta seja aprovada pelos Câmara. No imóvel particular, a prefeitura pretende implantar o seu novo centro administrativo.
Já no terreno da prefeitura, a instituição de ensino pretende instalar sua nova unidade. A área fica na confluência das ruas Palmyra Magnani Protti e Marcos Markarian, na região da avenida Braz Olaia Acosta, na Zona Sul.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), convidado para a audiência, não compareceu. Segundo apuração do Tribuna, o MP só irá se manifestar sobre o projeto se for acionado oficialmente. Fontes ouvidas pela reportagem – que preferiram o anonimato neste momento – afirmam que irão judicializar a permuta. O projeto ainda não tem data definida para votação em plenário.

