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Esportes

Volta ‘precoce’ do futebol em São Paulo gera desconforto no Botafogo e clubes da A2

JOSÉ BAZZO/AGÊNCIA BOTAFOGO

Murilo Bernardes

O Campeonato Paulista já tem data para recome­çar. A decisão de voltar, po­rém, não agradou a todos. O Botafogo, que integra a primeira divisão do estado, é um dos times que reclama­ram do reinício precoce das partidas de futebol.

O posicionamento do clube, contudo, não está sen­do levado a sério pela FPF e também por parte de sua tor­cida – desde que virou S/A o Pantera vive uma relação de amor e ódio com o torcedor. Por ser um dos integrantes da zona de rebaixamento quan­do a competição foi parali­sada, a decisão de ir contra o reinício das atividades ga­nhou tom de tentativa de “vi­rada de mesa” nos bastidores.

O Botafogo, entretanto, se apoia na opinião médica para criticar a postura adota­da pela federação. Alexandre Vega, médico do clube, cha­mou a retomada de “crime” e afirmou que os profissionais da saúde envolvidos com o futebol não estão sendo ouvi­dos nas tomadas de decisões.

“É um crime retornar o campeonato neste momento. Estamos todos nós, os mé­dicos, pedindo para que as pessoas se distanciem, e ago­ra querem voltar com o fute­bol para agrupar as pessoas, então acho isso um grande absurdo. Não vejo a menor condição de jogar futebol neste momento, nós médicos estamos sendo enganados por um poder para permi­tir a aglomeração. O médico hoje só serve para ir à linha de frente, porque ninguém escuta a gente. É um absurdo voltar o Campeonato Paulista agora”, afirmou Vega em en­trevista à Rádio CBN.

Médico do Botafogo, Alexandre Vega chamou o retorno do Paulistão de “crime”

Outra questão levantada por Vega é de que o retor­no das partidas não foi dis­cutido nas reuniões com a cúpula médica dos clubes paulistas. Segundo ele, os encontros trataram apenas da formatação de protocolos e não de um possível retorno dos jogos.

“Tem uma falha muito grande. Participamos de um protocolo de retorno para voltar primeiramente aos treinos e a seguir voltar com o campeonato. Porém, o re­torno ao futebol não foi or­dem dos médicos, que fique bem claro. Eu falei várias ve­zes que o ideal era voltar em setembro ou outubro, quan­do a pandemia acabasse. Eu, Alexandre Vega, médico do Botafogo-SP, participei de vá­rias reuniões e não foram de­terminadas datas, mas sim os protocolos elaborados”, disse.

Maioria na A1, minoria na A2
Se na primeira divisão o Botafogo atuou como “lobo solitário” na briga com a FPF, na Série A2 as coisas parecem caminhar de forma diferen­te. A maioria dos clubes está descontente com o progra­mado retorno das partidas em agosto e vai pleitear jun­to à federação a modificação do regulamento. Os clubes querem ao menos 30 dias de preparação e o cancelamento do rebaixamento nesta edi­ção da competição.

Ao contrário dos times que estão na elite do futebol paulista, os clubes da segun­da divisão tem menos poder financeiro e tiveram de se desfazer dos seus jogadores durante a pandemia. Vários vão precisar se remontar para voltar a jogar em agosto.

Presidente do Rio Claro, Dayvid Medeiros, confirmou em entrevista a ESPN que os times integrantes da A2 têm interesse em rediscutir as re­gras do campeonato.

“Nós vamos ter que re­discutir as regras porque a situação é bem diferente. Não temos a mesma estrutura e o mesmo o orçamento das equipes da A1. Ainda temos de nos adaptar ao protocolo da Federação e fazer os tes­tes. É importante discutir os testes para que a Federação arque ou ajude nos custos. Mas principalmente temos de planejar como reconstruir os times. Ficamos com seis jogadores, sem elenco”, afir­mou Medeiros.

14 profissionais da Chape testaram positivo após retorno do Catarinense

Retorno contaminado
A volta do futebol no es­tado de Santa Catarina durou apenas seis dias. Após diver­sos casos serem confirmados entre jogadores, comissão técnica e funcionários dos clubes, o Governo do Estado decidiu paralisar o campeo­nato novamente.

A justificativa para o “sur­to” de casos na retomada foi o não cumprimento dos protocolos aprovados pelas autoridades de saúde do esta­do. Clubes como Avaí e Cha­pecoense – que registrou 14 novos casos – foram notifi­cados pela Superintendência de Vigilância em Saúde pelo descumprimento do decreto.

Presidente da Comis­são Médica da FPF, Moisés Cohen, afirmou que é possí­vel ter jogadores infectados na volta do Paulistão. Porém, Cohen destacou que as con­taminações não devem acon­tecer na mesma proporção que em Santa Catarina.

“Nós temos que diminuir este risco o máximo possível, mas temos que ter consciên­cia de saber conviver com o vírus, porque ele não vai embora de hoje para ama­nhã. A vida segue. Pode acontecer [no Paulistão], sim, mas temos que tentar tomar as providências justamente para evitar uma situação des­sas”, ponderou.

A FPF traçou diretrizes para a retomada dos treinos e também dos jogos. A ideia é que atletas e funcionários sejam testados à exaustão, inclusive ficando isolados em concentração para reto­mar as partidas.

“O grande cuidado que estamos tomando no Pau­listão é concentrar os atletas, ter um controle maior e mais de perto. A gente não deve ter surpresas grandes, porque os jogadores estão treinando e sendo testados, mas também não podemos fechar essa por­ta. Infelizmente, na medicina, e particularmente nesta ques­tão da Covid-19, nem sempre dois mais dois é quatro. Te­mos que prestar atenção, mas ao mesmo saber que um caso ou outro pode acontecer. Não tem jeito, pode acontecer”, admite Moisés Cohen.

O Botafogo reestreia no Campeonato Paulista no dia 23 de julho, às 20h, diante do Guarani, no estádio 1º de Maio, em São Bernardo. O Tricolor fecha sua participa­ção no estadual no domingo (26), em duelo contra o Red Bull Bragantino.

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