Tribuna Ribeirão
Artigos

Ódio sem fronteiras

Divulgação

O futebol costuma ser apresentado como uma linguagem universal, capaz de unir povos e culturas. A Copa do Mundo de 2026, porém, expôs o lado mais sombrio das redes sociais. Dados da FIFA revelam que, apenas na fase de grupos, foram identificadas 89 mil publicações abusivas, volume 13 vezes maior que na Copa de 2022. Os ataques racistas representaram 11% das mensagens ofensivas, confirmando que a violência digital cresce em velocidade superior à capacidade de contê-la.

O problema vai além do aumento de usuários ou da ampliação do torneio para 48 seleções. Cerca de 225 mil publicações passaram por análise humana, 181 mil comentários de ódio foram ocultados automaticamente e mais de dois milhões de interações foram moderadas, incluindo conteúdos de bots e contas falsas. Em mais de 100 casos, houve indícios suficientes para encaminhamento às autoridades policiais. Os números revelam que o ambiente digital se tornou uma extensão das arquibancadas, mas sem limites físicos ou fronteiras.

O fenômeno não se restringe ao esporte. Organismos como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Organização das Nações Unidas (ONU) e entidades brasileiras, como a SaferNet Brasil, alertam para o crescimento dos discursos de ódio nas plataformas digitais. O anonimato, os algoritmos que privilegiam conteúdos de grande repercussão e a facilidade de disseminação potencializam ataques que dificilmente ocorreriam com a mesma intensidade fora do ambiente virtual.

A resposta tecnológica da FIFA, baseada em inteligência artificial, moderação humana e cooperação com autoridades, representa um avanço importante, mas insuficiente. Remover mensagens ofensivas reduz danos imediatos, porém não elimina suas causas. O combate efetivo exige responsabilização dos autores, atuação mais firme das plataformas e educação para a cidadania digital. Quando a maior competição esportiva do planeta se transforma em palco para o racismo e a intolerância, o problema deixa de ser apenas do futebol e passa a refletir um desafio urgente para toda a sociedade.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Depois do alerta, o diálogo e a esperança

Redação

A Colômbia e sua Literatura (75): Darío Jaramillo Agudelo

Redação

Psicologia & Neurociência (13): O Cérebro Político

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade