Tribuna Ribeirão
Política

Democratas investigarão 
ações de Donald Trump

Sam Wolfe/Reuters
Mercado de apostas vê chances superiores a 70% de o presidente dos EUA, Donald Trump, sofrer um impeachment até o fim de seu mandato, em 2029


Com a conquista da maioria no Congresso dos Estados Unidos, os democratas prometem ampliar a fiscalização do governo do presidente Donald Trump e conduzir uma série de investigações sobre possíveis casos de corrupção, enriquecimento pessoal e conflitos de interesse envolvendo o presidente, seus familiares e aliados. A expectativa é que o partido utilize os poderes de convocação e investigação das comissões parlamentares.

Na Câmara dos Representantes, os democratas pretendem concentrar os trabalhos nos negócios da família Trump, no tratamento dado pelo governo nas investigações sobre Jeffrey Epstein e nas operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Também estão entre os alvos os projetos de construção da Casa Branca, incluindo o novo salão de festas, e a participação da família Trump em negociações envolvendo recursos minerais.

O líder democrata Hakeem Jeffries, cotado para assumir a presidência da Câmara, também não descartou a possibilidade de iniciar um terceiro processo de impeachment contra o presidente. No Senado, a expectativa é de investigações semelhantes. Os senadores democratas pretendem investigar os negócios imobiliários e as operações com criptomoedas de Trump, além das ações do ICE e do DOGE e de possíveis restrições no Medicare.

Também estão na mira bancos suspeitos de ignorar alertas sobre as movimentações financeiras de Jeffrey Epstein e empresas farmacêuticas com vínculos com o governo republicano. A ofensiva responde à preocupação dos eleitores com a corrupção e o estado da democracia americana.

Segundo a pesquisa AP Voter Poll, cerca de metade dos entrevistados considerou a corrupção governamental um fator decisivo na escolha de seus representantes. Entre os que apontaram a situação da democracia como principal preocupação do país, 80% votaram em candidatos democratas.

O Partido Democrata conquistou a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado configura uma derrota histórica para o presidente Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira, 3 de novembro. A “onda azul” permitiu aos democratas manter suas cadeiras no Senado e avançar sobre vagas historicamente ocupadas por republicanos.

Os democratas conquistaram 240 cadeiras na Câmara dos Representantes, contra 147 dos republicanos. Outras 48 ainda estavam em dispua nesta quinta-feira (5). Para ter maioria simples, eram necessárias 218. A apuração ainda segue para definir as 59 cadeiras restantes. No Senado, os democratas ficaram com 54 assentos, ante 44 dos republicanos – são necessários 51 assentos para assegurar maioria. Dois ainda estão em apuração.

Para lidar com os próximos meses, os democratas prometem uma agenda de 100 dias para tentar reduzir os custos dos combustíveis, alimentos e outros produtos, além de projetos de lei para reverter cortes nos programas de saúde Affordable Care Act (Lei de Assistência Acessível) e Medicaid. Eles também prometem melhorar a fiscalização e responsabilização de criminosos.

Do outro lado da Câmara, os republicanos têm poucas chances de aprovar novas medidas partidárias antes do fim da legislatura, apesar da intenção de aproveitar as últimas semanas no poder. Também existe a possibilidade de Trump indicar outro juiz para a Suprema Corte, mas nenhum magistrado sinalizou que pretende deixar o cargo.

Além disso, o Congresso precisa aprovar o orçamento para evitar uma paralisação do governo federal. Nas próximas semanas, os partidos devem definir suas lideranças e a Câmara dos Representantes deve também eleger um presidente no início do novo Congresso.

O mercado de apostas vê chances superiores a 70% de o presidente dos EUA, Donald Trump, sofrer um impeachment até o fim de seu mandato, em janeiro de 2029. A plataforma Polymarket indica 77% de chance de Trump sofrer impeachment até 20 de janeiro de 2029.

No curto prazo, até 31 de dezembro de 2026, a chance de o presidente ser afastado é mínima, de apenas 3%. No horizonte até 30 de junho de 2027, as apostas sobem para 43% e aceleram para 62% até 31 de dezembro do próximo ano.

Já na Kalshi, a chance de impeachment até o fim do mandato era de 76,7%. A plataforma indicava 44% de probabilidade de a Câmara aprovar o impeachment de Trump antes de 1º de abril de 2027; 54% antes de 1º de maio; e 58% antes de 1º de julho.

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