Rui Flávio Chúfalo Guião *
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O homem sempre foi seduzido pela descoberta de novas fronteiras, o que permitiu sua evolução e a chegada ao estado atual da humanidade.
Sua busca por novidades o impeliu das savanas africanas para o Oriente Médio e quando se estabeleceu nas margens africanas e asiáticas do Mediterrâneo, começou a desenvolver a navegação marítima, isto há 7.000 anos.
Os egípcios, fenícios, gregos, minoicos não tinham ideia do tamanho do mar onde habitavam e desconheciam a existência da Europa.
Começaram com pequenos barcos e pequenas viagens, até dominar completamente o Mediterrâneo, que os romanos chamariam posteriormente de Mare Nostrum, o nosso mar.
Os vikings, entre os anos 800 e 1.050 d.C, por terem barcos diferenciados, começaram a navegar para mais longe da área europeia e no grande mar, tendo chegado mesmo à América do Norte, os primeiros europeus a pisar em nosso continente.
Mas, foram os ibéricos que, no final do século XV e no XVI estruturaram a conquista das possíveis terras desconhecidas. Em 1402 os espanhóis chegam até as Ilhas Canárias e os portugueses, em 1415, aos Açores.
Ambas as nações procuravam um caminho marítimo até as Índias, como eram chamados os países orientais que supriam a Europa de especiarias, tecidos finos e porcelana.
Portugal decidiu tentar as Índias contornando o continente africano e Espanha optou por enviar seus navios navegando para o ocidente.
Em 1492, Cristóvão Colombo chega à América e, em 1498, Vasco da Gama aporta nas Índias.
Estas descobertas e a exploração das riquezas das novas terras transformam os dois países nos mais importantes e ricos do século, ampliando o mundo então conhecido.
Logo depois do término da Segunda Grande Guerra, em 1947, formam-se dois grandes agentes políticos universais: a União Soviética, com seus países-satélites europeus e asiáticos e os Estados Unidos, com sua proposta democrática. Como os dois países têm a bomba atômica e estão exaustos pelas batalhas, inicia-se um período denominado Guerra Fria, caracterizado pelo confronto dos regimes comunista e capitalista, através de grandes tensões econômicas, geopolíticas e ideológicas.
No dia 4 de outubro de 1957, o mundo acorda surpreso com a notícia de que a URSS colocara em órbita o primeiro satélite artificial, o Sputnik. No mês seguinte, dia 3, sobe ao espaço o primeiro ser vivo, a cadela soviética Laika. E, em 12 de abril de 1960, a URSS lança o primeiro humano ao espaço, Yuri Gagarin, acrescentando nova dimensão para a Guerra Fria.
Os Estados Unidos custam a repetir a façanha e somente em 5 de maio de 1961, lançam Alan Shepard para um volta orbital em torno da Terra, mas são a primeira potência a colocar um homem na Lua, no dia 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin deram sua caminhada em nosso satélite.
Hoje, mais de vinte e cinco mil satélites artificiais lançados e 414 viagens espaciais tripuladas depois, terminada a Guerra Fria, estabelecida a parceria técnica espacial entre a Rússia e os Estados Unidos, surgem outros participantes da conquista do espaço: China, França, Japão, Índia, Alemanha, Reino Unido, Israel, aa duas Coreias e o Irã juntaram-se à busca de novos conhecimentos no Universo.
Até o momento, esta corrida não criou clima de guerra, pois as potências espaciais colaboram entre si. A necessidade de saber se há outros tipos de vida no Universo, a possibilidade de garimpar metais raros e inexistentes na Terra e a busca por novos conhecimentos são o motor deste busca espetacular por novos horizontes.
Assim como a grandes navegações ampliaram o mundo então conhecido e permitiram esticar o conhecimento humano, a corrida espacial talvez seja no presente o grande salto de conhecimento na nossa vida.
* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

