Tribuna Ribeirão
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Outros casos automobilísticos

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Os brasileiros sempre tiveram apelidos carinhosos ou nomes   jocosos  para os veículos que começaram a ser produzidos no nosso país.  Após o lançamento da Kombi e do Fusca pela Volkswagen do Brasil, em 1953, a Willys Overland, empresa americana, começou a produzir, em 1959,  o Renault Dauphine, um veículo pequeno, porém de quatro portas, que custava a pegar e que passou a ser chamado de Teimoso. Dando um upgrade no modelo, lançou o Gordini, também de quatro portas, em 1962. Veículo de belo estilo europeu, deixava a desejar em seu desempenho: problemas na suspensão, não preparada para nossas ruas e nossas estradas, portas presas por um forte arame em forma de S,bastava uma pequena batida  e as portas eram tiradas de seu suporte.

No mesmo período, o Leite Glória lançou a primeira versão instantânea do produto. Até então, o leite em pó exigia uma operação demorada para se dissolver. Colocava-se num copo ou xícara uma colherada do pó e ia-se acrescentando e batendo pequenas quantidades de água até atingir uma massa pastosa. Mais água e depois de muita mexida, tinha-se o leite pronto.

O slogan da campanha publicitária era “Leite Glória, Dissolve sem Bater “e a criatividade brasileira logo encontrou outro uso para ele:  “Gordini,dissolve sem bater “

Apesar dosatírico  slogan, a produção do Gordini só terminou em 1968, mas, firmou no mercado brasileiro a ideia de que carro deveria ter somente duas portas, ideia que só terminaria no mesmo ano de 1968,com o lançamento do VW 1600 e o Opala, da GM.

O Fusca sempre foi líder de mercado e a Volkswagen lançou nos 26 anos de sua produção várias séries especiais.  Uma delas era um Fusca com teto solar, lançado no final do ano, em quantidade limitada, para o mercado do Rio de Janeiro. O anúncio de sua oferta, publicado nos jornais fluminenses ( na época, propaganda se fazia maciçamente em jornais )mostrava um carro com o teto aberto e a ponta de uma árvore de Natal aparecendo. Logo o carioca passou a dizer que aquele Fusca era para o Clube dos Cornélios, ótimo para colocar para fora os chifres do condutor cornudo. Foi um fracasso de vendas.

A última estória por certo não é verdadeira, mas mostra a criatividade dos clientes de veículos. Nos anos 1960, estabeleceu-se uma parceria entre a Mercedes alemã e a americana GM, com o objetivo de melhorar a qualidade dos produtos de ambas. A vedação do chassi sempre foi uma grande preocupação para impedir a entrada de água em dias de chuva. A Mercedes, dizia-se tinha uma prova importante para  verificar a vedação de

seus carros: bastava colocar um gato trancado dentro do carro por três dias. Se ele morresse neste período, era prova de vedação completa.

Os americanos, que sempre quiseram ser melhores do que os alemães, fizeram prova semelhante em seus carros. No final de três dias, o gato havia escapado por um dos buracos do chassi…

* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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