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4ª. Jornada da Leitura 6.0 discutiu o papel da literatura na velhice

Jornada 6.0 mostra a importância da leitura e da escrita para o envelhecimento saudável e a necessidade da construção de uma sociedade que combata o idadismo (Reprodução)

Quarta edição do evento atraiu 4590 pessoas, durante três dias, para ouvir escritores, especialistas e artistas sobre o papel dos livros, da literatura e da escrita para uma velhice mais ativa e inclusiva. Além disso, contabilizou 2986 comentários do público

A 4ª Jornada da Leitura 6.0, realizada pelo Observatório do Livro em parceria com o Conselho Municipal do Idoso de Ribeirão Preto (SP) e encerrada ontem (22/2), abordou, durante três dias de lives, a importância de se falar mais sobre o idadismo e de como ele está presente nas relações com os mais velhos, e, principalmente, como a leitura literária representa uma importante ferramenta na mudança desse cenário. O tema escolhido para esta edição foi “Histórias e sonhos não envelhecem”.

O evento anual é uma celebração do projeto Clube de Leitura 6.0, que acontece no estado de São Paulo desde o final de 2019 e contabiliza mais de 150 grupos implantados para a população acima de 60 anos, como o próprio nome já diz, com cerca de 2 mil participantes. Em Ribeirão Preto, os clubes acontecem desde 2021 e reúnem 480 membros. Segundo a presidente do CMI, Gislene Mazzer Ribeiro, é preciso ter o entendimento sobre a necessidade de serviços públicos transversais para a população que vive cada vez mais. “Como o esporte, o lazer, a cidadania e a cultura”, reflete.

Um dos destaques da 4ª. JL 6.0, o coordenador do Programa USP 60+, Egídio Dórea, falou sobre os benefícios da leitura e da escrita em qualquer idade. “O nosso cérebro é plástico, se reorganiza, se reestrutura e vamos criando uma reserva cognitiva”, comentou. “Quando lemos um livro, estamos criando imagens, começamos a imaginar aquela cidade onde a história acontece, as personagens, e isso estabelece novas conexões no cérebro”, acrescentou.

Para a médica Karla Giacomin, ler as várias formas de viver a velhice, inclusive, é maravilhoso. “Um convite que a gente faz para as pessoas é: Releia os clássicos. São clássicos porque são atemporais. A verdade, os valores, as dúvidas existenciais são os mesmos, embora se apresentem hoje de outra forma”, finaliza ela, que também é consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Políticas Públicas e Envelhecimento.

Encontros plurais com os escritores Sylvia Loeb, que também é psicanalista; Luiz Puntel; Luciana Savaget; Luiz Carlos Ramos; Márcia Kambeba; Maria Helena Oliveira; e Carlos de Assumpção, do alto de seus 94 anos e sua poesia de protesto, renderam papos contemporâneos e necessários. E como destacou Loeb ao encerrar sua fala, “a literatura salva!”.

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